Peugeot

508 SW. A carrinha para se impor no mundo dos SUV

A Peugeot 508 SW é a carrinha da gama 508. Mantém a elegância, é provavelmente mais atraente e, sem dúvida, mais prática, sendo proposta com um preço a partir de 38.000€. Mas será um sucesso?

Portugal foi o destino escolhido para a apresentação internacional da 508 SW, carrinha que deriva directamente da berlina da Peugeot. Se nas gerações anteriores a marca francesa se preocupou em conceber carrinhas que primavam pela versatilidade e espaço interior, desta vez apontou armas ao segmento onde dominam os construtores premium, ou seja, os alemães da Audi, BMW e Mercedes, que tradicionalmente apostam mais no estilo em detrimento do espaço interior, numa tentativa de liderar entre os fabricantes generalistas. É obviamente uma aposta com tanto de ousadia como de risco, que o tempo se encarregará de pôr à prova.

Com a comercialização da berlina 508 a iniciar-se em Dezembro e a carrinha agendada para Junho de 2019, a Peugeot começa por propor uma versão especial para a fase de arranque, que denomina First Edition, tanto para a berlina como para a SW e que se diferencia por ser mais requintada, com ênfase para o revestimento da zona de carga em madeira e o interior a pele. Mas Portugal deverá apenas receber 24 unidades da berlina e 15 carrinhas.

Como é por fora?

A 508 SW mantém a frente da berlina, de longe a mais atraente da gama francesa, mas na lateral começam a surgir as diferenças, com o tejadilho a manter a altura a partir do centro, o que não só torna o veículo ligeiramente mais alto, como esse incremento beneficia quem se senta atrás. A distância entre eixos é a mesma, pelo que o espaço habitável, em comprimento bem como em largura, não deverá sofrer alteração, da mesma forma que foram mantidas as portas sem aros superiores, o que confere ao modelo um certo ar de coupé. E, curiosamente, as portas da berlina e da carrinha são idênticas, apesar do aspecto distinto, o que se fica a dever à diferente forma do vidro.

A traseira exibe uns farolins (idênticos aos da berlina, apesar de não parecerem) ligados entre si por uma faixa reflectora, que resulta bem do ponto de vista estético, e que contribui para o facto da carrinha nada perder, em aspecto exterior, quando comparada com a berlina. Contudo e apesar das preocupações aerodinâmicas, a Peugeot não conseguiu evitar que a SW acusasse um S.Cx de 0,628, contra 0,57 do carro. Diferenças há igualmente em matéria de peso, com a carrinha a carecer de mais reforços, o que elevou o peso em cerca de 30 kg.

É maior por dentro?

Uma vez sentados a bordo, nada muda se estivermos sentados no lugar do condutor ou do passageiro da frente. O espaço é bom e o ambiente envolvente, com o i-Cockpit a ser mais agradável do ponto de vista estético do que funcional. Como os instrumentos estão colocados por cima do volante – e não visíveis através dele, como acontece em todos os restantes fabricantes –, para estarem visíveis o velocímetro e o conta-rotações, é necessário baixar demasiado o volante e, mesmo assim, é difícil evitar perder-se parte da informação do painel. Mais grave quando ela inclui indicações do sistema de navegação, que pode surgir ao centro do painel de instrumentos.

Entrar e sair do veículo também não é tarefa fácil para indivíduos mais altos ou mais volumosos, pois o 508 é mais baixo do que os concorrentes – a Peugeot reivindica a mesma abertura através da porta anterior do que a anterior versão do Audi A7 Sportback – e os pilares são mais volumosos, provavelmente devido à ausência de aros superiores. Os bancos, se bem que regulem em altura, nunca vão tão abaixo como outros concorrentes, o que torna o 508 mais complicado de utilizar para indivíduos com mais de 1,80 metros.

Os lugares posteriores da carrinha são melhores do que os da berlina, pois não só o acesso é melhor graças ao desenho do vidro da porta como, uma vez lá dentro, há um pouco mais de espaço para a cabeça. E, uma vez sentado, a visibilidade para o exterior sai também melhorada, pois os vidros laterais da SW não limitam a visão como o terceiro pilar da berlina. Ainda em matéria de volume interior, destaque para a bagageira, com 530 litros face aos anteriores 560, o que a coloca abaixo da Opel Insignia (560 l) e da Volkswagen Passat (650 l), que lidera entre os generalistas.

A construção da SW, à semelhança do 508, é boa, sem ruídos parasitas e com bons materiais. Os bancos são bons (revestidos a Alcantara ou pele Nappa) e certificados pela AGR (Aktion für Gesunder Rücken), tal como os da Opel, com a nova SW a dispor de um nível de equipamento idêntico ao da berlina, com destaque para o sistema de visão nocturna e cruise control adaptativo com função stop&go (com caixa automática), o que faz com que o condutor não tenha de intervir no pára-arranca citadino.

Cabe à SW estrear o lane assist com posicionamento na faixa de rodagem, que permite ao condutor decidir se quer circular ao centro da faixa, ou ligeiramente mais à esquerda ou à direita, para depois o sistema manter o veículo exactamente nessa posição. Além disto, a SW – à semelhança da berlina – disponibiliza travagem de emergência, alerta de risco de colisão, reconhecimento alargado de sinais de trânsito (incluindo Stop e sentido proibido), full parking assist e faróis LED com iluminação em curva.

Como se comporta?

Exactamente igual à berlina, o que significa muito bem, uma vez que a eficácia em curva é um dos trunfos do 508. Para compensar o peso ligeiramente superior, os técnicos franceses montaram na SW barras estabilizadoras mais grossas, que evitam o adornar em curva, sem beliscar o conforto em recta, ou menos do que fariam caso a intervenção fosse realizada nas molas em vez de nas barras.

Os diferentes modos de condução permitem que o 508, que em condições normais é um pouco mais duro do que a média do segmento, seja confortável quando nos deslocamos em ritmo de passeio. Quando queremos conduzir um pouco mais depressa, é altura de ir para um modo de condução mais desportivo, com a suspensão a ficar mais firme e a capacidade de curvar do modelo a agradecer.

Em auto-estrada, tivemos ocasião de confirmar que não há ruídos aerodinâmicos, vantagem da Peugeot ter recorrido ao mesmo fornecedor que fornece as portas sem aros aos fabricantes alemães, sendo que estas foram também as condições em que colocámos à prova o novo sistema de lane assist com posicionamento do veículo. Ao contrário do lane assist normal, que corrige a trajectória e impede o carro de abandonar a sua faixa, sem contudo evitar que vá aos esses, o novo permite que o 508 ocupe sempre o centro da faixa, com as vantagens daí decorrentes.

Quando chega e por quanto?

Em termos de motores, a 508 SW alinha pelas soluções que já vimos na berlina, com duas unidades a gasolina e três a gasóleo. A gasolina surgem duas versões do 1.6 PureTech, o motor sobrealimentado que pode fornecer 180 ou 225 cv, sempre acoplado a uma caixa automática de oito velocidades (EAT8).

A oferta diesel arranca com o motor 1.5 BlueHDi de 130 cv, que tanto pode estar associado a uma caixa manual de seis velocidades, como à EAT8. Os mais exigentes podem sempre preferir o 2.0 BlueHDi de 160 e 180 cv, sempre com a EAT8.

A carrinha 508 chega a Portugal em Junho, por valores que deverão arrancar nos 38.000€, valor referente ao 1.6 PureTech de 180 cv. Contudo, aconselha a marca francesa que se espere por Janeiro para se ter uma ideia mais concreta sobre o posicionamento, isto depois de serem conhecidos os aumentos fruto da implementação do WLTP e da fiscalidade nacional. Ainda assim, o objectivo dos responsáveis pela Peugeot em Portugal é colocar a carrinha SW entre 2.000 a 3.000€ acima do preço praticado pela berlina.

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