O ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, assegurou que pretende que o défice se aproxime “o mais possível de 3%” do Produto Interno Bruto (PIB), apontando alternativas para compensar as medidas sociais anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron.

“Quero que sejam tomadas todas as medidas necessárias para nos aproximar o mais possível dos 3%, ou seja, dos nossos compromissos europeus”, afirmou o ministro numa audição no Senado, falando num esforço das empresas e numa taxa para os grandes grupos tecnológicos norte-americanos.

Na terça-feira, um outro ministro francês, Gérald Darmanin, tinha antecipado que o défice poderia ficar em 3,4% em 2019, após as medidas anunciadas por Macron em resposta à contestação social dos chamados “coletes amarelos”, incluindo um aumento de 100 euros no salário mínimo.

O porta-voz do executivo Benjamin Griveaux indicou que o custo das iniciativas previstas vai situar-se entre oito mil milhões e 10 mil milhões de euros.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos garantiu que França não receberá tratamento preferencial relativamente a Itália em caso de derrapagem do défice.

Embora tenha rejeitado um tratamento diferenciado para França, Pierre Moscovici lembrou que as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento autorizam em alguns casos derrapagens orçamentais.

Um desvio “temporário, limitado e excecional” das regras europeias que limitam o défice público de um país a 3% do PIB é “concebível”, desde que a derrapagem não aconteça durante dois anos consecutivos e não exceda os 3,5%, observou.