Segurando cartazes com escritos como “Parem a confusão do ‘Brexit'” e “Será que vale a pena”, Steve Bray tornou-se nos últimos meses uma das figuras mais vistas nos noticiários das televisões britânicas.

Os gritos deste galês de 49 anos a dizer “Parem o ‘Brexit’!” são escutados constantemente durante os diretos junto ao parlamento britânico, em Westminster, quando não invade o cenário de fundo das filmagens com o seu material propaganda, incluindo bandeiras do Reino Unido e da União Europeia e um chapéu alto azul onde se lê “Stop ‘Brexit'”.

“Venho para aqui todos os dias em que há sessões no parlamento desde 05 de setembro do ano passado”, disse esta quinta-feira à agência Lusa, afirmando a convicção de que o ‘Brexit’ “é o grande erro e o resultado de mentiras”.

Para se dedicar a este protesto quatro dias por semana durante sete horas, entre as 11:00 e 18:00, parou a atividade de negociante de moedas e deixou Port Talbot, no país de Gales, para se instalar em Londres, onde vive num apartamento emprestado e de dinheiro que lhe dão outros apoiantes desta causa. “Não vivo com luxos”, garantiu, referindo a importância do grupo de outros voluntários que o vão acompanhando.

É o caso de Duncan Hodgkins, que faz frequentemente os 163 quilómetros desde Stratford Upon Avon, a noroeste de Londres, para se juntar ao protesto para tentar impedir a saída do Reino Unido da União Europeia, que irá ter impacto não só no seu negócio de importação de produtos europeus, como na vida pessoal da mulher holandesa.

“Foi um voto democrático, mas as pessoas não tinham conhecimento dos fatos todos”, afirmou à Lusa este membro do grupo auto intitulado “Stand of Defiance European Movement” (SODEM), uma sigla cuja pronunciação funciona como um impropério.

Dos transeuntes, estes ativistas têm ouvido sobretudo palavras são de incentivo. Mas nos últimos dias também têm sofrido ameaças e intimidação de elementos da extrema-direita a favor do ‘Brexit’, que vêm insultá-los e ameaçam cortar com facas as faixas e posters, conta Hodgkins.

Este é um pequeno grupo, mas organizado, acrescenta, antes de se juntar um cidadão português, que não se quis identificar, mas que ajuda na campanha e que quinta-feira conduzia uma carrinha com uma escultura com quatro cabeças, incluindo a de Theresa May e Boris Johnson, em que se lê “Brexit é uma monstruosidade”.

“Estou cá há 22 anos e não aceito a forma como estão a tratar os imigrantes. Este é o início da revolução britânica, eles estão finalmente a deixar de ser apáticos. Eu quero que eles se inspirem na história portuguesa e no que fizemos no 25 de abril de 1974”, confiou.