A TAP Manutenção Brasil atingiu este ano o break-even, excluindo custos de reestruturação, e para 2019 o orçamento da TAP prevê que a empresa registe lucros de três milhões de euros, o que, a confirmar-se será a primeira vez que esta operação dará lucro depois de comprada pela companhia portuguesa há mais de dez anos. No ano passado, as operações de manutenção no Brasil deram um prejuízo de 50 milhões de euros e as perdas acumuladas desde 2011 atingem os 300 milhões de euros. 

Apontada como o maior problema para a rentabilidade do grupo TAP ao longo deste período, a antiga VEM, que foi comprada à Varig durante a gestão de Fernando Pinto, é hoje uma “solução” para a TAP, afirmou o presidente executivo Antonoaldo Neves durante um encontro com jornalistas esta quinta.feira.

“Precisamos muito e valorizamos muito o trabalho da nossa operação no Galeão (Rio de Janeiro). Assinamos um contrato de aluguer do hangar, temos 500 trabalhadores em toda a operação (já foram 2000). Temos agora uma operação que equilibrou a oferta com a procura”, depois do fecho do polo de Porto Alegre.  O gestor da TAP destacou as mudanças no mercado brasileiro que afetaram o negócio da manutenção. As companhias aéreas aumentaram muito o tamanho dos aviões o que levou a uma diminuição da frota e fez mudar muito a procura por serviços de manutenção no Brasil.

“A capacidade instalada da TAP no Brasil era muito maior do que o mercado precisava. O ajustamento que fizemos, permitiu resgatar a rentabilidade e hoje temos quatro aviões da TAP de longo curso a fazer manutenção no Brasil e não cá onde não há espaço. Hoje, a manutenção do Brasil é um ativo importante. A TAP Manutenção e Engenharia em Portugal é muito importante para o grupo, este ano faturou 170 milhões de euros na manutenção de motores para outras companhias aéreas. Hoje a antiga VEM traz mais boas notícias e os problemas do passado “ficaram para trás”.

Sobre os resultados da própria TAP, o presidente executivo nada revelou neste encontro de balanço da atividade no ano que contou também com a presença dos acionistas privados, David Neeleman e Humberto Pedrosa, com o empresário americano dono da Azul a anunciar o lançamento de nova rota para S. Francisco, com uma frequência de cinco vezes por semana. O voo de estreia está marcado para 10 de junho de 2019.

Chicago, Tel Aviv e Washington, são novas rotas para o próximo ano. Foi também anunciado um reforço das frequências para Luanda agora que foi quase resolvido o problema de repatriamento dos recursos captados pela TAP no mercado angolano. O regresso à África do Sul está no horizonte dos novos destinos, mas não para o próximo ano, com o presidente executivo da TAP a afastar também o reforço da operação para a Venezuela que atualmente é assegurada por uma equipa externa.

Outra das novidades anunciadas é a possibilidade de trocar mensagens gratuitas com o WI-FI dos novos aviões de longo curso A-330-900. Será a primeira companhia, diz Neeleman, que vai oferecer este serviço no Atlântico. Já para navegar na internet durante o voo será necessário comprar um pacote de dados.

TAP recebe 37 novos aviões em 2019

A TAP deverá fechar o ano de 2018 com 16 milhões de passageiros e espera crescer mais 10% a 15% no próximo, um crescimento alavancado pela chegada dos novos aviões de longo curso. São 37 novos aviões da Airbus, uma concentração de entregas causada por atrasos do fabricante que vai colocar desafios, reconheceram os responsáveis da empresa.

“Precisamos de assegurar que a nossa máquina de contratação e formação de pessoas está a funcionar de forma eficiente porque é um volume que a TAP nunca viu antes.”

Entre 2018 e 2019 está prevista a contratação de mais de 300 pilotos, dos quais 240 já foram contratados e mais de 500 tripulantes de cabine, num total de 1000 novos colaboradores. “Estamos a cobrir um défice. A TAP estava no limite dos pilotos que precisava e contava com a boa vontade dos pilotos. Isso não era sustentável. Tivemos voos cancelados  e voos sem refeição por falta de tripulação e de pilotos”. O presidente executivo destacou ainda a paz social com o acordo a cinco anos conseguido com a maioria dos sindicatos e que prevê aumentos salariais de 15% ao longo deste período, um investimento que a empresa fez e que só foi possível graças a uma gestão de longo prazo, sublinhou.

A TAP prevê baixar a tarifa média no próximo ano, como resultado do aumento da oferta em 13%. Antonoaldo Neves refere que os preços são definidos pelo mercado e pela oferta e procura, mas a chegada de aeronaves mais eficientes vai permitir reduzir os custos de combustível entre 10% a 20%, o que também permitirá reduzir os preços dos bilhetes.

No balanço de um ano de mandato à frente da TAP, o sucessor de Fernando Pinto destaca as dificuldades, a que chama de “enormes desafios” vividos, como a valorização do preço do petróleo, o cambio do real e a instabilidade causada nas eleições no Brasil que afetaram a procura, e os problemas de infraestrutura (as limitações do aeroporto de Lisboa). Desafios aos quais a equipa “reagiu muito”.

“Se tivesse enfrentado este cenário macroecónomico quando estávamos a discutir a privatização da TAP, a coisa tinha acabado porque eram muitos desafios na estrutura de custos.”

Entre os “desafios” para 2019 está a amortização de 120 milhões do passivo à banca, no quadro da renegociação de dívida que se seguiu à privatização da companhia. “Estamos preparados para pagar a partir de março”, ainda que reconheça que é “um desafio enorme”. Antonoaldo Neves sublinha que a empresa voltou a ter crédito na banca . “Há bancos a financiar a empresa que nunca antes fizeram empréstimos à TAP”, destacou.

A pontualidade é outro dos “desafios” para a TAP que ainda não atingiu os objetivos, apesar dos progressos registados em particular nos últimos meses do ano. A empresa vai ter os A340 (atuais aviões de longo curso) de reserva para mitigar o efeito de eventuais atrasos nas entregas das novas aeronaves. A meta é alcançar uma pontualidade de 80%, este ano deverá ficar nos 60% e para o ano espera alcançar os 70%, mas a empresa não conseguirá ir mais além com os constrangimentos da atual infraestrutura aeroportuária da Portela, avisa Atonoaldo Neves.