O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse esta quinta-feira querer “legalizar” milhares de casas de colonos desprovidas das autorizações israelitas necessárias localizadas na Cisjordânia, algumas horas após um ataque que matou dois soldados nesse território palestiniano ocupado por Israel.

Todos os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais à luz do direito internacional, mas Israel distingue entre aqueles que aprovou e um determinado número de outros, chamados “selvagens”.

A construção de colonatos é considerada por uma grande parte da comunidade internacional um grande obstáculo à paz com os palestinianos, já que ela põe em causa uma solução de dois Estados coexistindo pacificamente lado a lado, se Israel continua a avançar sobre o território de um eventual futuro Estado palestiniano.

O Governo israelita, do lado dos defensores da instalação de colonatos, ou seja da anexação de uma parte da Cisjordânia, contesta essa interpretação.

Esta “legalização” vai abranger habitações existentes, em alguns casos, há várias décadas, e vai também permitir construir, em volta dessas habitações, novos edifícios públicos, de ensino e religiosos, cuja construção estava bloqueada, indicou o gabinete do primeiro-ministro em comunicado.

“Eles estão a pensar expulsar-nos da nossa terra, mas não vão conseguir”, disse Netanyahu, citado no comunicado, referindo-se aos autores de atentados.

Israel considera a Cisjordânia, território palestiniano que ocupa há mais de 50 anos, parte integrante do seu território.

Netanyahu pediu igualmente aos serviços do Governo para analisarem a hipótese de construir 82 novos prédios em Ofra, o colonato perto do qual dois ataques mataram três israelitas no domingo e nesta quinta-feira.

O chefe do executivo israelita quer também acelerar o processo de destruição das casas de autores de atentados, para as destruir em 48 horas, indicou o seu gabinete.

Além disso, tenciona retaliar deixando de dar aos familiares dos autores de atentados licenças de trabalho em Israel ou nos colonatos.