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Acidente em Borba impõe reflexão sobre planeamento das explorações

Após o deslizamento de um grande volume de rochas, pensar a forma como o setor dos mármores está organizado é uma prioridade, obrigando a refletir sobre planeamento das explorações e sua envolvência.

Operação de retirada do corpo da quinta vítima que caiu para dentro de uma pedreira em Borba (Évora), na sequência de um deslizamento de terra e colapso da estrada 255

LUSA/LUSA

O vice-presidente da Associação Portuguesa dos Industriais dos Mármores, Granitos e Ramos Afins (ASSIMAGRA) considera que o acidente ocorrido em Borba, há cerca de um mês, obriga a uma reflexão sobre o planeamento das explorações e a sua envolvência.

“Há uma reflexão que temos de fazer. Falamos de planeamento para perceber o quanto ele é essencial para que isto não aconteça. O recurso de pedra existe onde existe, não é possível haver uma pedreira onde não há pedra”, afirmou Miguel Goulão, em entrevista à agência Lusa. Na construção de estradas, infraestruturas e edifícios, continuou, é necessário “um bom planeamento para que esteja tudo em perspetiva de se compatibilizar”.

Miguel Goulão reconheceu que o planeamento “não é feito somente para um setor de atividade”, como o das pedreiras, mas “para toda uma comunidade, com os ‘n’ fatores” envolvidos, e admitiu também a existência de “uma perspetiva eleitoral”.

“É normal que assim seja, temos de contentar a comunidade onde nos inserimos, mas isso às vezes prejudica muita coisa. Não quer dizer que seja o que aconteceu em Borba. Mas um planeamento correto e adequado evita que estes acontecimentos — que são únicos — aconteçam”, sublinhou.

De acordo com o responsável, o Alentejo possui pedreiras que variam na sua profundidade, havendo atualmente “quem esteja a explorar entre 40 e 60 metros e outros a 120, 140 metros de profundidade”. Porém, existe mármore além disso. “Os estudos indicam que podem ir até 300 metros de profundidade. Isso leva a que todos tenham de fazer uma profunda reflexão na forma como esse mármore tem de ser explorado, não pode ser como foi até hoje”, reconheceu.

Para Miguel Goulão, a existência de “pequenos buracos” como os atuais constitui “um risco”, por um lado, e, por outro, não permite ter “uma exploração eficiente e economicamente viável”. “Esta infelicidade tem de lançar uma janela de oportunidade ao setor que é de repensar a forma como o setor está organizado. Lá em baixo [Alentejo] tem pequenas explorações que podem passar a ser grandes explorações”, adiantou, reiterando a existência de “bons exemplos que já demonstram que é possível fazê-lo” e aumentar a capacidade de rentabilidade das empresas.

O deslizamento de um grande volume de rochas, blocos de mármore e terra e o colapso de um troço da Estrada Municipal 255 para o interior de duas pedreiras contíguas em Borba (distrito de Évora) ocorreram na tarde de 19 de novembro. Dois operários de uma empresa de extração de mármore, que trabalhavam na pedreira ativa, morreram, assim como três outros homens, ocupantes de duas viaturas automóveis, que na altura do acidente seguiam no troço da estrada alvo da derrocada e que caíram no plano de água da outra pedreira, sem atividade.

O Ministério Público (MP) instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente, que é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, estando a investigação a cargo de dois magistrados. O Ministério Público é coadjuvado na investigação pela Polícia Judiciária (PJ). O Governo pediu uma inspeção urgente ao licenciamento, exploração, fiscalização e suspensão de operação das pedreiras situadas na zona de Borba.

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