Já se esperava que a defesa do antigo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, requeresse a abertura de instrução do processo sobre o ataque à Academia de Alcochete, que resultou em agressões, investigações e acusações a 44 arguidos, entre os quais o próprio Bruno de Carvalho, acusado pelo Ministério Público de ter sido o autor moral de 98 crimes. Em 20 páginas assinadas pelo seu advogado, José Preto, reveladas pelo Diário de Notícias, o ex-presidente do Sporting explica porque quer que um juiz de instrução olhe para os factos da acusação e decida se o caso deve ou não ir para julgamento.

O rol de insultos, críticas e acusações do requerimento ao processo é grande, segundo avança o Diário de Notícias: “insulto ao direito”, “mixórdia”, “completamente aberrante”, “radical desgraça”, “perversidade hábil” e processo que contém “ignorância e descuido assombrosos” são algumas das expressões utilizadas.

A defesa do antigo presidente do Sporting disputa ainda várias convicções do Ministério Público: a de que em Alcochete tenha sido cometido algum crime de terrorismo, durante a invasão dos adeptos encapuçados ao centro de treinos  (o termo serviu apenas para “viabilizar ultrajantes diligências noturnas, detenção noturna, com alarme esperado e desejado”), a de que a investigação tenha sido “séria” e a de que o processo tenha sido conduzido pelas entidades adequadas, já que “o órgão competente para dirigir a investigação criminal seria obviamente o DCIAP — Departamento Central de Investigação e Ação Penal” e, para a defesa de Bruno de Carvalho, as diligências deveriam ter sido conduzidas pela PSP e não pela GNR)

A defesa de Bruno de Carvalho nega ainda que tenha sido o antigo presidente a alterar a hora do treino da equipa de futebol profissional (para um período que coincidiu com a invasão de adeptos à Academia de Alcochete), acusa a procuradora Cândida Vilar de “singular deslealdade” por ter entregue à RTP, segundo a própria estação pública afirma, um áudio com um interrogatório ao ex-presidente dos leões, e desqualifica o despacho do Tribunal de Instrução que viabilizou a detenção.