A criminalidade relacionada com o narcotráfico na Europa está a aumentar cada vez mais. Desde homicídios, ao aumento de afiliações e extensão de área de influência dos grupos criminosos, o Centro Europeu de Monitorização para Drogas e Adição tem alertado para a entrada cada vez mais rápida de cocaína (mais pura) no espaço europeu.

O relatório feito por esta agência de monitorização europeia sediada em Lisboa afirma que a ‘uberização‘ da cocaína — por ser vendida rapidamente, em qualquer sítio e a qualquer hora, tal como chamar um ‘uber’ — deve-se à canalização de esforços dos cartéis sul-americanos para atuarem no mercado europeu, que associados a grupos criminosos provenientes dos Balcãs e do Norte de África, conseguem movimentá-la mais eficazmente do que nunca.

A fragmentação do comércio de cocaína na Europa parece resultar das rivalidades entre grupos de crime organizado, dentro e fora das fronteiras territoriais onde estes grupos operam”, “uma das consequências que se tem verificado foi o aumento do número de homicídios relacionado com o tráfico de droga”, diz o relatório.

Estes grupos têm novos métodos de transporte mais sofisticados. Recebem os pedidos num call center e fazem as entregas através de ‘correios’ que levam a droga aos clientes pessoalmente. Segundo o The Guardian, este método foi já registado pelas autoridades em países como a Inglaterra, França e a Bélgica, nos quais os compradores telefonam aos centros de atendimento, localizados em Espanha e nos Balcãs, para encomendar as suas doses.

“Estes novos métodos, que refletem a ‘uberização’ do tráfico de cocaína, são um sinal claro de que o mercado negro está cada vez mais competitivo. Agora os vendedores têm de prover mais do que o produto aos compradores. Têm uma entrega rápida, em qualquer lado e a qualquer hora”, afirma o relatório do Centro Europeu de Monitorização para Drogas e Adição.

O facto do abastecimento de cocaína ter vindo a aumentar, coincidiu com a mudança de pontos entrega para os grandes carregamentos durante os últimos anos. Se, por um lado, antes se verificava que os portos da Península Ibérica eram os locais de passagem escolhidos pelos cartéis, agora, verifica-se uma maior incidência nalguns dos grandes portos do norte da Europa, como por exemplo na Bélgica, na França e na Alemanha.

É o caso do caso do Porto de Antuérpia, na Bélgica, que é um dos maiores pontos de entrada de cocaína na Europa. Só em 2017, foram apreendias lá 41 toneladas de cocaína, pondendo-se considerar um número preocupante dado que em 2016 foram apreendidas 70,9 toneladas em toda a Europa.