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Estados Unidos da América

EUA. Criança de 7 anos morre de desidratação depois de atravessar fronteira com família

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Uma criança da Guatemala morreu de desidratação dois dias após ter sido detida com a família por atravessar ilegalmente a fronteira dos EUA. Relatório diz que não comia nem bebia água há dias.

A criança de 7 anos foi detida juntamente com 163 pessoas e viria a morrer dois dias mais tarde

ORLANDO SIERRA/AFP/Getty Images

Uma menina de 7 anos morreu de desidratação depois de ter sido detida juntamente com a sua família por terem atravessado ilegalmente a fronteira do México para os EUA.

A menor, cuja identidade não foi revelada e da qual só se sabe a idade e que tinha nascido na Guatemala, foi detida na fronteira juntamente com 163 pessoas no dia 6 de dezembro, pelas 22h00, perto da localidade de Lordsburg, no Novo México. A detenção foi feita pela U.S. Customs and Border Protection (CBP), a autoridade de proteção das fronteiras dos EUA.

De acordo com os registos da CBP, consultados pelo Washington Post, a menor começou a ter convulsões às 6h25 já do dia seguinte à sua chegada, 7 de dezembro. Segundo os paramédicos que a socorreram pouco depois desse momento, a rapariga de 7 anos estava com uma temperatura de 105,7 graus fahrenheit (40,9, em celsius). De acordo com o comunicado emitido pela CBP, a vítima mortal não teria “comido nem bebido água durante vários dias”.

A criança ainda foi transportada de helicópetro para um hospital pediátrico em El Paso, cidade texana na fronteira com o México, onde acabou por morrer menos de 24 horas depois.

Através de comunicado ao Washington Post, a CBP apresentou as suas “mais sinceras condolências à família da criança”, mas rejeitou ter havido falhas da parte dos seus agentes. “Os agentes da CBP tomaram todas as medidas possíveis para salvar a vida da criança sob as circunstâncias mais difíceis”, disse o porta-voz da CBP Andrew Meehan. “Como pais e mães, irmãos e irmãs, sentimos a perda de qualquer criança.”

Este é um problema que pode vir a agravado nos próximos tempos, tendo em conta o atual perfil das pessoas que procuram entrar ilegalmente nos EUA. Cada vez mais, os números demonstram um crescimento de famílias que tentam atravesssar a fronteira, levando consigo filhos menores.

Há uma mudança dramática em relação às pessoas que estão a chegar aos EUA”, disse ao Observador Maureen Meyer, que dirige a investigação sobre o México e os direitos dos migrantes para a ONG Washington Office on Latin America (WOLA), para o qual também Adam Isacson trabalha. “Já não é só o tradicional migrante masculino que vem para os EUA”, sublinhou a especialista, a propósito de um trabalho sobre quem entra nos EUA de forma ilegal e quem espera do lado mexicano da fronteira.

Esta semana, numa audição no Senado o comissário Kevin McAleenan, da CBP, indicou que os centros de detenção de migrantes não estão preparados para este novo fenómeno de migração. “As nossas estações foram construídas há décadas, para lidar na maior parte dos casos com jovens adultos do sexo masculino sob custódia, não com famílias e crianças”, disse aquele funcionário de topo da CBP.

Na mesma audição, Kevin McAleenan disse que novas barreiras na fronteira — entre as quais se pode incluir o muro prometido por Donald Trump — seriam “uma ferramenta importante” para impedir a passagem ilegal de pessoas para os EUA.

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