Alguns reclusos da Ala A do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira incendiaram esta sexta-feira de manhã dois caixotes de lixo. A situação foi controlada rapidamente pelos guardas prisionais e os reclusos postos nas suas celas, onde ficaram assim que o incidente foi neutralizado.

Ao JN, Vítor Ilharco, da Associação de Apoio ao Recluso, disse que “há descontentamento relativamente ao não cumprimento das decisões da Comissão Arbitral”. “Em Paços de Ferreira os reclusos queixam-se de que não podem comprar os artigos que querem na “loja” do EP. Os guardas fizeram uma lista de produtos que eles podem adquirir, que se cinge a tabaco e pasta dos dentes. E, de igual modo, foi-lhes dito que o almoço de Natal terá apenas uma hora de duração. Temo o que possa vir a acontecer quando saírem das celas”, concluiu.

Por oposição, Pedro Silvério, do Sindicato Nacional da Guarda Prisional, afirmou que os guardas “estão a cumprir na íntegra as indicações da Comissão Arbitral. Não estamos é a cumprir as ilegalidades que se foram fazendo ao longo dos anos”. “O regulamento só permite a entrada de bolos até dois quilos no dia de aniversário do recluso”, declarou ao JN.

Já a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) garantiu à Lusa que não houve desacatos na cadeia, tendo apenas um recluso “só queimado um canto do colchão”.

A DGRSP refere ainda que “não resultaram quaisquer ferimentos ou necessidade de assistência a elementos da vigilância ou ao recluso” e a situação foi “imediatamente resolvida pelo guarda prisional presente”.