Tradicionalmente, os desportivos extraem o máximo de “sumo” dos seus motores, pelo que atingem a velocidade máxima na mudança mais alta, ligeiramente acima da potência máxima e quase no red line, apenas para não fazer excesso de rotação nas descidas. Mas este não é o caso do novo Porsche 911, a geração 992 que, apesar de possuir uma caixa automática PDK de dupla embraiagem com oito velocidades, não atinge a velocidade máxima em 8ª ou 7ª, as mais desmultiplicadas.

O motor de seis cilindros opostos e 3 litros de capacidade, soprado por um turbocompressor e alimentado por injecção directa, fornece 450 cv. Potência suficiente para o empurrar até aos 308 km/h, na versão Carrera S e 306 km/h se dotado de tracção integral, talvez pelas maiores perdas mecânicas devidas à transmissão pois, segundo o construtor, o peso é o mesmo (1.640kg, o que é no mínimo estranho) e o Cx (0,29) também. Contudo, a maior capacidade de tracção explica que o 4S ganhe 0.1 segundos nos 0-100 km/h, apesar de perder 0,1 litros (9,0 l/100km) no consumo médio.

Com a potência máxima às 6.500 rpm e a capacidade de rodar até quase às 7.000 rpm, o Carrera S deveria esgotar (ou quase) a 8ª velocidade. Mas isso implicaria 482 km/h, uma vez que a desmultiplicação total lhe permite fazer 68,9 km/h por cada 1.000 rpm. Mesmo a 7ª velocidade, com 55,3 km/h por cada 1.000 rpm, asseguraria uma velocidade de 387 km/h caso esgotasse, o que também está longe de acontecer. Pelo que tem de ser a 6ª a garantir a velocidade máxima, ela que com 44,7 km/h por cada 1.000 rpm, pode atingir 313 km/h. Nesta mudança, o 911 atinge os 308 km/h às 6.890 rpm, bem acima do regime máximo e em cima do corte de ignição e injecção, como aliás deve ser num desportivo.

É claro que nada disto acontece por erro, sendo mesmo o objectivo do fabricante, que nisto de desportivos sabe mais do que muitos concorrentes. Sucede que a necessidade de anunciar consumos mais reduzidos, e usufruir das menores emissões de CO2 que lhes estão associadas, leva a que os construtores procurem diminuir o regime a que o modelo circula em condições normais, ou seja, em ritmo de passeio em estrada ou auto-estrada.

Basta pensar que a 120 km/h, o Carrera S roda em 6ª a 2.685 rpm, quando em 8ª atinge o mesmo valor às 1.741 rpm, ou seja, quase mil rotações mais abaixo. Um regime que fica até abaixo do valor a que é obtido o binário máximo (a máxima força fornecida pelo motor, que é estável entre as 2.300 e as 5.000 rpm), mas nada que seja impossível de ultrapassar para um motor sobrealimentado. Quer isto dizer que o novo Porsche 911 oferece uma caixa de oito velocidades, mas se o quer utilizar como desportivo esqueça as últimas duas e concentre-se nas seis primeiras, uma vez que as restantes servem apenas para poupar gasolina e ruído.