Os propagandistas russos usaram as redes sociais para persuadir a comunidade afro-americana a votar em Donald Trump em vez de escolher Hillary Clinton durante as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos. Dois novos novo estudos, um conduzido pela Universidade de Oxford e outra pela empresa de cibersegurança New Knowledge, dizem que os operacionais do governo russo que manipularam as eleições norte-americanas usaram plataformas como o Facebook para “confundir, distrair e desencorajar” os negros que iam votar em Hillary Clinton, dizendo por exemplo que ela era subsidiada pelo Ku Klux Klan.

Os novos estudos defendem que houve “esforços subtis” para incentivar o eleitorado negro a boicotar a eleição ou a votar em Trump. Uma das estratégias dos propagandistas russos foi feita através da página de Facebook “Blacktivist”, que conquistou quase cinco milhões de “gostos”. Nos últimos dias de campanha, essa página publicou mensagens que sugeriam que “as vidas dos negros não importam a Hillary Clinton” e que o melhor seria votar em Jill Stein, do Partido dos Verdes. Ou então nem sequer ir às urnas porque “não votar é uma maneira de exercer os nossos direitos”, defendia a página.

A Universidade de Oxford descobriu ainda que os afro-americanos foram mais expostos a anúncios no Facebook e no Instagram do que qualquer outro grupo racial. Nas contas dos investigadores, mais de mil anúncios foram apresentados a utilizadores do Facebook tipicamente mais interessados em pesquisar sobre questões civis dos afro-americanas. Esses anúncios atingiram quase 16 milhões de pessoas e todos davam informações erradas sobre as taxas de pobreza e sobre violência policial.

De acordo com os relatórios, todos esses propagandistas pertenciam à Agência de Pesquisa na Internet, uma ferramenta russa para levar a cabo operações de influência online conforme os interesses comerciais e políticos de Vladimir Putin, o presidente da Rússia. Tanto a Universidade de Oxford, como essa empresa concordam que essas manobras de manipulação nas redes sociais foram preparadas ao longo de cinco anos e que “todas as mensagens visavam claramente beneficiar o Partido Republicano e, especificamente, Donald Trump”.

Apesar do escrutínio feito à agência russa, os dois estudos apontam o dedo ao Facebook, ao Twitter e ao Google por causa de “falhas contínuas” em informar as autoridades norte-americanas que estavam, já na época da campanha eleitoral de 2016, a investigar a possibilidade de o governo de Putin estar a manipular as eleições norte-americanas, em linha com os seus próprios interesses. Tanto Oxford como a New Knowledge dizem que alguns executivos dessas redes sociais “deturparam ou ignoraram” e “dissimularam” dados relativos a essa propaganda russa nas declarações feitas ao Congresso.