A Polícia Judiciária (PJ) tem em curso na manhã desta segunda-feira uma mega-operação que visa capturar todos os autores do furto do arsenal de guerra, nos paióis do Exército em Tancos, a 29 de junho de 2017. Numa atualização às primeiras informações sobre a “Operação Húbris II” da PJ, o Exército confirmou que um militar está a ser ouvido pela Polícia Judiciária como testemunha.

Inicialmente, o Exército e a Polícia Judiciária avançaram a informação de que não havia militares detidos na operação. Essa informação sofreu avanços e recuos ao longo do dia. Ao início da tarde, o Exército confirmava “a detenção de um militar”, mas viria a retificar esse dado. Na verdade, a Polícia Judiciária emitiu um mandado de comparência imediata para um militar do Exército. O militar tinha 48 horas para se apresentar mas a PJ decidiu conduzi-lo para que pudesse ser ouvido como testemunha no processo em que se investiga o furto de Tancos.

De acordo com informações confirmadas pela PJ em comunicado de imprensa, a operação liderada pela Unidade de Contraterrorismo da PJ no centro e sul do país, e sobretudo na zona de Tomar, envolve dezenas de buscas e já resultou em oito detenções, supostamente de mais suspeitos envolvidos furto do material de Tancos.

Os detidos vão agora ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para conhecerem as medidas de coação. Na operação participaram três magistrados do Ministério Público e 85 investigadores, detalhou a PJ.

O Observador sabe que a Polícia Judiciária Militar não foi envolvida na operação desta segunda-feira. O Exército tinha confirmado durante a manhã que não tinha recebido “nenhuma notificação por parte da PJ relativa ao assalto de Tancos”, o que afastava o envolvimento de militares do ramo nestas detenções, uma vez que, recorda a porta-voz, major Elisabete Silva, “para haver detenções de militares na efetividade de serviço, fora do flagrante delito, tem de ser requisitado ao comandante, chefe, ou diretor militar”.

Horas mais tarde, a porta-voz indicou que “a ordem de detenção chegou pela cadeia de comando” e que a detenção já se tinha concretizado. Mas tratava-se, afinal, de uma ordem de comparência a que a PJ decidiu dar cumprimento direto: foi buscar o militar à unidade em que o mesmo se encontrava esta segunda-feira de manhã e conduziu-o de seguida para interrogatório para que pudesse prestar depoimento como testemunha.

Ainda de acordo com a revista Sábado, entre os detidos estará também um indivíduo já referenciado como um dos autores do desaparecimento de pistolas Glock da PSP.

Foi a 28 de junho do ano passado que desapareceu dos paióis de Tancos uma grande quantidade de material militar, incluindo armas e munições. O material viria a ser encontrado na zona da Chamusca em outubro do mesmo ano. Porém, uma lista recentemente entregue no Parlamento indica que ainda falta recuperar algum material, designadamente granadas e munições.

A PJ tem vindo a investigar o desaparecimento do material desde a altura. Mas, em setembro deste ano, lançou uma operação para investigar a alegada encenação do reaparecimento das armas por parte da Polícia Judiciária Militar de forma a encobrir os autores do furto.

A primeira tese sobre o reaparecimento do material indicava que o Exército tinha recebido uma chamada anónima denunciando a localização do armamento.

Contudo, a PJ acredita que tal não aconteceu. A tese da Judiciária é que tudo terá sido combinado, desde a chamada anónima à colocação do material naquele lugar, de forma aparentar que a PJM tinha resolvido o caso. Tudo por causa de uma guerra entre as duas polícias.

A operação Húbris, que está a investigar este alegado encobrimento, começou em setembro com buscas e detenções entre a hierarquia da Polícia Judiciária Militar — incluindo o então diretor da PJM, coronel Luís Vieira. Foram também detidos elementos da GNR, que teriam colaborado na encenação.