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Bordalo II inaugura em Paris em janeiro “exposição-manifesto” Accord de Paris

A capital francesa vai receber em janeiro a "exposição-manifesto Accord de Paris" do artista Bordalo II. A entrada é livre e pretende sensibilizar a geração mais jovem para "salvar o planeta".

A exposição estará patente de 26 de janeiro a 2 de março e pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 14h00 e as 19h00

RODRIGO ANTUNES/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O artista português Bordalo II inaugura em janeiro, em Paris, a exposição-manifesto “Accord de Paris”, “que denuncia a devastação perpetrada pela sociedade de consumo sobre a natureza”, foi anunciado esta terça-feira. A exposição estará patente até 2 de março.

“Accord de Paris” é composta por “trinta esculturas de animais ameaçados de extinção, criadas a partir de resíduos de plástico, máximo paradigma das consequências desastrosas da globalização”. A mostra, de entrada livre, irá ocupar “um espaço em bruto com 700 metros quadrados, no 13.º bairro de Paris”, e pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 14h00 e as 19h00. As manhãs estão “reservadas às crianças em idade escolar”.

A exposição, “uma aventura humana, ecológica, cultural e pedagógica, que desenvolve um trabalho articulado com escolas em Paris e Île de France, é um grito de alarme pela preservação do ecossistema e um apelo à responsabilidade coletiva”.

“É uma exposição de arte que transmite uma mensagem universal acessível desde a mais tenra idade, com recurso a dispositivos e materiais educativos (folhetos informativos, painéis, vídeos, etc.) e oficinas divertidas”, refere a organização.

Artur Bordalo (Bordalo II – o primeiro era o avô, o artista plástico Real Bordalo, que morreu em junho do ano passado, aos 91 anos), nascido em Lisboa, em 1987, começou pelo ‘graffiti’, que o preparou para o trabalho pelo qual se tornou conhecido: esculturas feitas com recurso a lixo e desperdícios.

Com a série “Big Trash Animals” (algo como “Grandes Animais de Lixo”) tem espalhado pelo mundo vários animais, “uma forma de fazer retratos da natureza, uma composição das vítimas com aquilo que as destrói”.

“Podia fazer rostos humanos, mas a parte humana já está presente neste trabalho a tempo inteiro, por ser criada por um humano e porque todo este material que utilizamos já é humano. Todo este lixo é nosso, não é da Natureza”, referiu, em declarações à Lusa, em novembro do ano passado, altura em que inaugurou em Lisboa “Attero”, exposição que foi visitada por cerca de 27 mil pessoas, no espaço de um mês.

A propósito da exposição, Bordalo II deixou nas ruas de Lisboa uma raposa, na avenida 24 de Julho, um sapo, na rua da Manutenção, e um macaco, no pátio do armazém onde esteve patente “Attero”, na zona de Xabregas. Em Lisboa, há ainda um guaxinim numa parede na zona de Belém.

Em Portugal, é também possível ver-se animais criados por Bordalo II em cidades como Estarreja, Loures, Vila Nova de Gaia e Covilhã.

Este ano, foi curador do primeiro festival dedicado à ‘arte do lixo’, que decorreu na ilha espanhola de Tenerife e no qual participaram também os portugueses Catarina Glam, Miguel Januário e Forest Dump.

“Accord de Paris”, é organizada pela galeria Mathgoth, com o apoio da autarquia do 13.º bairro de Paris e da empresa portuguesa Semapa.

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