Bombeiros

Governo e bombeiros voltam ao diálogo após rutura da Liga com Proteção Civil

O MAI e a Liga dos Bombeiros Portugueses vão reunir-se em Lisboa para negociações sobre propostas na área da proteção civil. Eduardo Cabrita diz que é fundamental reforçar papel dos bombeiros.

Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna

MÁRIO CRUZ/LUSA

O ministro da Administração Interna e a Liga dos Bombeiros Portugueses reúnem-se esta terça-feira, em Lisboa, para negociações sobre as várias propostas na área da proteção civil, nomeadamente as alterações à lei orgânica, que têm gerado maior contestação.

O encontro ocorre depois de a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) ter abandonado a estrutura da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) e suspendido a informação operacional por parte dos bombeiros aos comandos distritais de operações e socorro (CDOS).

O presidente da LBP, Jaime Marta Soares, assegurou que esta atitude dos bombeiros não põe em causa a segurança e o socorro aos portugueses, garantindo que os bombeiros continuarão a funcionar “exatamente na mesma”.

No entanto, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, deu na sexta-feira indicações à ANPC para participar ao Ministério Público (MP) a situação de “grave risco” resultante da ausência de comunicação dos bombeiros ao Comando Distrital de Operações de Socorro de Lisboa de um incêndio no concelho de Cascais. Eduardo Cabrita determinou também à ANPC a abertura de um inquérito para apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares.

Em resposta, o presidente da LBP, Jaime Marta Soares, afirmou que o ministro da Administração Interna pretende atemorizar os bombeiros e que vai analisar com o gabinete jurídico a apresentação de uma queixa-crime contra Eduardo Cabrita.

O Governo aprovou, em Conselho de Ministros em 25 de outubro, a proposta de alteração à Lei Orgânica da ANPC, que vai passar a designar-se Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Com esta proposta, o Governo acaba com os atuais 18 comandos distritais de operações e socorro e cria cinco comandos regionais e 23 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil. O Governo pretende que o novo modelo da Proteção Civil passe a ter uma base metropolitana ou intermunicipal.

A proposta do executivo prevê também a criação de um Comando Nacional de Bombeiros com autonomia financeira e orçamento próprio, cujo responsável máximo será designado depois de ouvida a LBP. A LBP classifica a proposta como “completamente desajustada da realidade do país” e considera que vai interferir na autonomia das associações de bombeiros.

A LBP reivindica uma direção nacional de bombeiros “autónoma independente e com orçamento próprio”, um comando autónomo de bombeiros e o cartão social do bombeiro. Em 24 de novembro, a LBP realizou uma concentração de protesto na Praça do Comércio, em Lisboa, um dia depois de a Liga se ter reunido com Eduardo Cabrita sem ter sido alcançado qualquer entendimento. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu, no sábado, que o Governo e a LBP devem dialogar para ultrapassar as divergências.

MAI diz que é fundamental reforçar papel dos bombeiros na proteção civil

O ministro da Administração Interna defendeu esta terça-feira que é fundamental reforçar o papel dos bombeiros no sistema de proteção civil e garantiu que da parte do Governo a vontade é a de melhorar a resposta de socorro.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma conferência sobre migrações, em Oeiras, Eduardo Cabrita disse que não pode antecipar os resultados de uma reunião que ainda não aconteceu, mas defendeu que é fundamental reforçar o papel dos bombeiros no sistema de proteção civil, que está em transformação.

“Este ano tivemos transformações estruturais que nos permitiram melhorar a resposta, que permitiram ter 68% de área ardida a menos do que nos últimos 10 anos, e uma melhoria evidente na articulação entre instituições”, defendeu o ministro.

Nesse sentido, defendeu que todos têm de fazer parte dessa mudança e que o que está previsto é que em 2019 sejam criadas “todas as condições para melhorar” a resposta do sistema de proteção civil.

Eduardo Cabrita sublinhou que os “bombeiros são parte fundamental nessa solução” e garantiu que da parte do Governo se mantém vontade em dialogar. “É por isso que um diploma aprovado para consulta pública há quase dois meses continua em diálogo e há toda a serenidade na abordagem desta matéria”, rematou.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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