O primeiro-ministro belga Charles Michel anunciou esta terça-feira que vai apresentar a sua demissão. “Decidi demitir-me e vou falar imediatamente com o rei”, disse ao parlamento, admitindo que o seu apelo para formar uma “coligação voluntária” até às eleições legislativas de maio do próximo ano “não convenção”, cita a Euronews.

O anúncio da demissão de Michel surge na sequência da saída do governo do maior partido da coligação governamental, o N-VA. Os nacionalistas decidiram abandonar os seus cargos no governo na semana passada devido a divergências sobre o Pacto Global da ONU para as migrações, adotado no passado dia 10 de dezembro em Marraquexe, deixando o ainda primeiro-ministro com um governo sem maioria parlamentar a cinco meses das eleições legislativas, previstas para final de maio de 2019.

Fim da coligação na Bélgica deixa Michel com governo minoritário

O N-VA era o único partido dos quatro que compunham o governo que se mostrava contra o texto das Nações Unidas, com base em opiniões sobre a migração que consideradas radicais. Apesar dos apelos dos nacionalistas, Charles Michel conseguiu assegurar o apoio da maioria parlamentar na defesa do Pacto Global para as migrações, o que levou à saída dos ministros flamengos no início da semana passada. “Se já não temos voz neste governo (…), não vale a pena continuar”, declarou Bart De Wever, presidente do N-VA.

Michel ainda apelou aos ministros nacionalistas flamengos para que renunciassem aos seus pedidos de demissão, mas sem sucesso. “Decido portanto apresentar a minha demissão e a minha intenção é deslocar-me ao rei imediatamente”, declarou esta terça-feira depois de um debate na Câmara dos Deputados, sob a ameaça de uma moção de censura apresentada pela esquerda parlamentar.