A capacidade de aceleração é um dos principais elementos diferenciadores entre os veículos desportivos, juntamente com a velocidade máxima. A mais potência corresponde habitualmente mais celeridade em ultrapassar a barreira dos 100 km/h – e a seguir a dos 200 km/h, 300 km/h e até 400 km/h, esta última reservada apenas a alguns –, mas é ainda necessário tracção, pois no momento do arranque, mais de 1.000 cv passados a apenas um eixo pode0 ser potência a mais. Veja-se por exemplo o que acontece nos F1, que superam 0-100 km/h em 1,7 segundos, quando o deveriam teoricamente fazê-lo em menos de 1,5. O problema? Falta de aderência no eixo motriz – apesar dos generosos pneus traseiros de competição –, numa fase em que as imensas asas traseiras ainda não fornecem o necessário contributo.

No capítulo dos superdesportivos, o Bugatti Chiron é o mais analisado entre os modelos de série. Com 1.500 cv, anuncia 0-100 km/h em 2,5 segundos, os 200 km/h em 6,5 segundos e os 300 km/h em 13,6 segundos, para depois estar autolimitado a 420 km/h, isto até receber os novos pneus da Michelin, homologados até 500 km/h, que lhe deverão permitir atingir a velocidade máxima teórica do Chiron, algures nas proximidades de 465 km/h. Há outros superdesportivos a anunciar valores próximos de 2,5 segundos, mas há sempre dúvidas em relação aos pneus e as condições em que decorreram as medições.

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Em 2019 e 2020 vão surgir dois novos superdesportivos, primeiro o Aston Martin Valkyrie e um ano depois o Mercedes-AMG One. Ambos híbridos e com um pouco mais de 1.000 cv, com o hiperdesportivo alemão a depender mais da componente eléctrica do que o seu rival inglês. A confirmação chega-nos pela velocidade anunciada por ambos, que necessita de uma entrega consistente de potência e não apenas durante uns segundos, limitados por uma bateria de pequenas dimensões, com o One a reivindicar 350 km/h e 403 km/h para o Valkyrie. Já os 100 km/h deverão ficar para trás em cerca de 2,5 segundos, dependendo de possuírem, ou não, qualquer tipo de tracção à frente eléctrica para ajudar no momento do arranque (provavelmente no One), uma vez que essencialmente são de tracção traseira.

Roadster a bater-se com os melhores. E a batê-los…

Já há alguns bons eléctricos no mercado, dos Rimac C_One e C_Two ao Nio EP9, mas em 2020 vai surgir talvez o hiperdesportivo eléctrico mais disruptivo. Referimo-nos ao Roadster II da Tesla, que além de potente, rápido e veloz, vai ser igualmente barato. Muito barato, uma vez que é proposto por 200.000 dólares (250.000 na versão limitada Founders Series), quando os seus adversários custam facilmente 10 vezes mais, naquilo que é uma diferença brutal.

Capaz de atingir 400 km/h, o Roadster sobressai ao anunciar 1,9 segundos de 0-60 milhas/hora (cerca de 0-97 km/h), que deverá rondar 2,0 segundos de 0-100 km/h. Mesmo tendo presente que o Tesla tem quatro rodas motrizes e um programa de gestão da tracção particularmente apurado – uma evolução do pack Track estreado no Model 3 –, uns míseros dois segundos para atingir 100 km/h é algo nunca visto em desportivos a gasolina ou híbridos.

Para manter viva a chama, a Tesla publicou um vídeo destinado a recordar a capacidade de aceleração do modelo que vai colocar no mercado dentro de dois anos. E nada melhor do que mostrar a reacção dos felizardos que tiveram a ocasião de viver a experiência de acelerar praticamente à velocidade de um Fórmula 1.