Numa entrevista ao Detroit Bureau, o segundo responsável máximo da Toyota, no departamento de engenharia, não hesitou em abrir pistas quanto àquilo que poderemos esperar da nova geração do Prius. Segundo Koichi Kaneko, não há como negar o óbvio: sim, é um facto que o sedan híbrido japonês tem um lugar de ouro na história da marca, mas não deixa de ser verdade que a apetência dos consumidores tende muito mais para carroçarias tipo SUV ou crossover.

Ora, se esta é claramente uma tendência deste lado do Atlântico, é-o de forma ainda mais evidente nos Estados Unidos da América. Com a agravante de que o mercado norte-americano é (tão só) o principal destino do Prius. Sucede que aí, nos primeiros 11 meses deste ano, as vendas caíram 23,2%. E o futuro não se augura muito melhor, atendendo a que está prestes a entrar em comercialização o novo Corolla, que também se apresenta numa versão híbrida.

Prevendo uma canibalização dentro da própria marca, Kaneko assume que na próxima geração do Prius será essencial “separá-lo do resto da gama”. O caminho mais lógico a seguir, na sua opinião, é responder às exigências do mercado. Ou seja, conferir-lhe uma imagem mais aventureira que, fruto das suas dimensões compactas, deverá resultar numa transformação para crossover. Mas, à parte da imagem, nada mais mudará, com o vice-director de engenharia a antecipar que a futura geração do modelo nipónico não embarcará em aventuras de propulsão, que é como quem diz nada de uma variante 100% eléctrica ou movida a célula de combustível a hidrogénio, tipo Mirai. O novo Prius, que será lançado em 2020, estará assim remetido à missão de actualizar a tecnologia híbrida do fabricante de Aichi.