O FC Porto prolongou a série de vitórias consecutivas (14), o Sporting prolongou a série de vitórias consecutivas (oito), o Benfica prolongou a série de vitórias consecutivas (seis).  Até aqui, exceção feita ao número de sucessos, tudo igual. Depois, a perceção das exibições: consistência para descrever os dragões, fantasia para explicar os leões, retoma para falar das águias. Mas uma retoma algumas vezes sofrível, de quando em vez com as suas exibições mais desinspiradas como a desta noite em Montalegre. São momentos iguais na prática com diferentes abordagens na teoria. Pelo menos, até ao próximo domingo.

A (merecida) vitela barrosã para uns, o faz de Conti para outros – a crónica do Montalegre-Benfica

Depois da goleada sofrida em Munique frente ao Bayern, e da rábula que numa madrugada transformou Rui Vitória de técnico a caminho da saída como treinador pelo menos até ao final da temporada “a não ser que apareça algum imprevisto” (palavras de Luís Filipe Vieira, presidente do clube), o Benfica goleou o Feirense na Luz por 4-0 com todos os golos apontados na segunda parte; derrotou o P. Ferreira na Taça da Liga por 2-0 em noite de serviços mínimos; e somou agora o quarto triunfo consecutivo pela margem mínima, entre Campeonato (Marítimo e V. Setúbal), Champions (AEK Atenas) e Taça de Portugal (Montalegre). Com isso, não sofre golos há 554 minutos; se continuar assim frente ao Sp. Braga, iguala a melhor série de Vitória, ascende pelo menos ao terceiro lugar e continuará numa zona “recuperável” em termos pontuais do FC Porto.

Na flash interview ou na conferência de imprensa, o técnico encarnado manteve a tónica do discurso nas últimas semanas: a reforçar o resultado final independentemente da forma como chegou lá, a destacar que até haver os níveis de confiança e fluidez necessários a retoma terá de ser feita assim, a admitir que esperava mais de alguns jogadores mas sem nunca nomear os visados, argumentando que se tratam de questões internas. Ainda assim, não passa ao lado de críticas. “Esta vida de treinador é como é, todos sabemos que é mesmo assim. Estou completamente tranquilo. A minha forma de trabalhar é esta e agora há que preparar o próximo jogo, para irmos com vontade de ganhar”, comentou a esse propósito.

Não podemos generalizar as opiniões. Este foi um jogo de Taça, em que as equipas que jogam num Campeonato inferior se transcendem. Nós, com as rotações que fizemos, acabámos por fazer com que as rotinas não funcionassem tão bem. Mas passámos à próxima fase, queremos e vamos chegar longe nesta competição. E a ideia era mesmo esta: manter a consistência e solidez porque a qualidade que já tivemos também voltaremos a ter”, salientou Rui Vitória sobre as críticas.

“O Benfica conseguiu a passagem num jogo de Taça, em que sabemos que é normal as equipas de escalões inferiores se transcenderem. O Montalegre fez uma boa exibição e receberam-nos muito bem, exceção feita ao estado do terreno, que acabou por nos dificultar. Mas houve mérito ao Montalegre pelas dificuldades colocadas; em relação à nossa equipa foi mais do mesmo no que toca às oportunidades criadas e aos golos marcados. Tínhamos de mudar alguns jogadores, era natural que a qualidade que pretendíamos não aparecesse”, começou por referir Rui Vitória sobre o encontro desta noite.

“Estamos numa fase de ir adquirindo consistência, hoje com o aspeto positivo de mudar um grande número de jogadores mas mantendo consistência. O objetivo passa por manter isso e depois ganhar, com a confiança que os resultados vão trazendo. Este é um período de retoma que terá de ser feito assim. Gostei da postura da maioria da equipa do resultado e passagem à próxima fase. Mas tendo em conta as mudanças e o estado do relvado que ficou muito difícil em determinados momentos, conseguimos o que era preciso. Não gostei de algumas oportunidades que tínhamos de finalizar e não o fizemos”, acrescentou.