O presidente do Tribunal de Contas espanhol, Miguel Ángel Torres, concluiu que o Governo catalão de Carles Puigdemont terá utilizado mais de oito milhões de euros do erário público para financiar a campanha e a realização do referendo à independência da Catalunha, a 1 de outubro de 2017.

Esta é a conclusão principal da auditoria levada a cabo pelo Tribunal de Contas, segundo o jornal El País. O Tribunal considera que cerca de 7,5 milhões de euros terão sido utilizados para “publicitar o independentismo” em Espanha, e que o restante meio milhão terá sido canalizado para o estrangeiro, através das embaixadas da Generalitat noutros países.

A auditoria foi realizada a pedido do ministério das Finanças espanhol, que há mais de um ano pediu ao Tribunal que investigasse “os danos causados ao erário público” pelos 17 membros do Governo de Puigdemont e pelas associações independentistas Assembleia Nacional Catalã (ANC) e Ómnium Cultural.

O valor de oito milhões é cerca do dobro do valor que tinha sido estimado pelo juiz do Supremo Tribunal Pablo Llarena, responsável pela investigação judicial ao processo separatista catalão. O Tribunal de Contas enviou uma cópia das suas conclusões para os magistrados responsáveis pelo julgamento aos líderes catalães que estão acusados dos crimes de rebelião, desobediência e mau uso de fundos públicos.

O julgamento dos 18 responsáveis catalães arranca em janeiro de 2019. Nove deles, incluindo o líder da Esquerda Republicana Oriol Junqueras, estão presos preventivamente. Outros sete, incluindo o ex-presidente Carles Puigdemont, estão fugidos de Espanha.