Cerca de uma centena de professores desfilaram esta quinta-feira por Lisboa até à presidência do Conselho de Ministros, onde deixaram caixas vazias para o Governo colocar as medidas prometidas e não cumpridas para melhorar o desempenho nas escolas.

Por volta das 11:00, os professores, com gorros de Pai Natal e sininhos nas mãos, concentraram-se em frente ao Ministério da Educação, de onde partiram rumo à presidência do Conselho de Ministros, entoando canções de Natal com letra adaptada às suas reivindicações.

Na linha da frente do desfile, um grupo de docentes transportou “presentes de Natal”, que explicou serem caixas vazias das promessas feitas pelo Governo que esperam que sejam introduzidas no próximo ano.

Cada caixa que foi entregue na presidência do Conselho de Ministros trazia uma mensagem relativa a uma das medidas: “Contagem integral do tempo de serviço”, “condições de trabalho adequadas”, “aposentação aos 36 anos de serviços” ou “a cada necessidade permanente, um vínculo estável” eram algumas das mensagens.

“As medidas positivas que este Governo tomou relativamente à educação e à escola pública foram zero”, acusou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, em declarações aos jornalistas,

O sindicalista lembrou que os governantes assumiram vários compromissos, tais como o rejuvenescimento do corpo docente, a contagem integral do tempo de serviço, o fim da precariedade e a regularização dos horários de trabalho, mas no final do ano “ficou tudo por cumprir”.

Mário Nogueira defendeu que estas medidas “têm a ver com os direitos dos professores, mas também com as condições de trabalho nas escolas, que acabam por se traduzir no sucesso dos alunos”, acrescentando que espera que os governantes as implementem no próximo ano.

Os sindicatos têm já agendadas várias ações para o próximo ano como forma de protesto contra o Governo, em especial pela decisão de recuperar apenas dois anos, nove meses e dezoito dias do tempo de serviço congelado.

Apesar de o Governo ter dado como terminado nesta semana o processo negocial relativo à recuperação do tempo de serviço, os professores voltaram quinta-feira a garantir que a luta não irá parar enquanto não virem recuperados os nove anos, quatro meses e dois dias.

“Fique a saber o Governo que este processo não foi encerrado e, por isso, no dia 3 de janeiro, estaremos aqui à porta prontos para voltar a negociar o tempo de serviço”, afirmou Mário Nogueira, durante a concentração em frente ao Ministério da Educação, onde lembrou também que 2019 é ano de eleições, garantindo que os professores não irão “inventar exigências”, mas que será “um ano de grande luta”.

Mário Nogueira considerou que ainda é cedo para falar de novas greves no próximo ano, uma vez que ainda estão à espera que o Governo retome o processo negocial, apesar de estarem a receber no sindicato contributos de professores sobre ações de luta.