Angola

Presidente angolano mantém promessa de criação de 500 mil empregos até 2022

O presidente de Angola mantêm a promessa de criar 500 mil novos empregos, no entanto, esclarece que é até 2020. A promessa já tinha sido feita na campanha eleitoral para as eleições de 2017.

O Presidente Da República de Angola, João Lourenço, durante segunda conferência de imprensa coletiva a primeira foi em janeiro - que decorreu esta sexta-feira nos jardins do Palácio Presidencial

AMPE ROGÉRIO/LUSA

O Presidente angolano garantiu esta sexta-feira que o emprego em Angola vai surgir e lembrou que a promessa de criar 500 mil novos postos de trabalho é para toda a legislatura (até 2022) e não para 15 meses.

João Lourenço, que falava numa conferência de imprensa esta sexta-feira, em Luanda, lembrou os esforços para a captação de investimento direto estrangeiro, fruto da diplomacia económica que encetou este ano, e as reformas internas destinadas a melhorar o ambiente de negócios e a diversificação da economia do país.

“Reconhecemos as nossas deficiências no quadro económico, mas estamos cada vez menos mal. Uma transição não se faz de um dia para o outro. Os 500 mil empregos [prometidos durante a campanha eleitoral para as eleições gerais de agosto de 2017] é para cinco anos, para uma legislatura, e não em 15 meses [tempo que já leva no poder]. A diversificação económica, por outro lado, também vai gerar emprego”, sublinhou.

João Lourenço admitiu, por outro lado, que a perspetiva social atual “piorou”, reconhecendo que quem assim pensa “está relativamente correto”, pois o bem-estar das populações depende sempre da economia, independentemente, no caso de Angola, das oscilações do preço do petróleo.

O chefe de Estado angolano realçou as preocupações sociais do Governo, consubstanciadas no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2019, destacando que, na área da Saúde, a dotação orçamental subiu dos atuais 3,6% (entre o total das despesas públicas), para 6,6% no em 2019, e que na Educação aumentou de 5,4% para 5,8%, no mesmo período.

“Sabemos que não é muito, mas fica o sinal da importância que damos aos dois setores”, referiu, partindo depois para os dados económicos do país, em que destacou que o OGE para 2019, no valor (total de despesas e receitas) de 11,2 biliões de kwanzas (32,2 mil milhões de euros).

Segundo João Lourenço, o défice orçamental tem vindo a melhorar desde 2016 (ano em que atingiu os -6,8%), descendo em 2017 (-6,3%) e 2018 (estimativa de -0,4%).

No entanto, afirmou, espera-se que em 2019 as contas públicas registem um saldo positivo de 1,5%.

A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), prosseguiu, também tem melhorado desde 2016, quando a recessão atingiu os -2,6%, descendo para -0,15% em 2017 e -1,1 em 2018. A perspetiva para 2019 é que atinja um crescimento de 2,8%.

Outros “indicadores de esperança” referidos por João Lourenço foi a descida da inflação – 41,9% em 2016, 23,7% em 2017, 18% (estimado) em 2018 e 15% (projetado) para 2019 -, bem como o diferencial da taxa de câmbio (diferença entre a taxa oficial e o mercado paralelo) que, em janeiro deste ano estava nos 150% e que, em setembro, nove meses depois, se situou em torno dos 23%.

No OGE para 2019, salientou também, a dotação para a Agricultura “quintuplicou” de um valor “irrisório e até vergonhoso” de 0,3% para o ano em curso, para 1,6%, “o que não é suficiente, mas é bem melhor”, pois a aposta é apoiar os pequenos agricultores, com as grandes propriedades a ficarem para os privados.

Em relação às privatizações, João Lourenço garantiu que serão feitas de forma correta, assumindo que o conjunto de empresas envolvidas no pacote a privatizar “não será entregue de bandeja a nenhum grupo específico” e que todas as operações serão feitas por concurso público, por via da bolsa de valores ou pelo mercado de capitais.

Admitindo que, de forma geral, as privatizações geram desemprego, João Lourenço reconheceu também tratar-se de uma questão “melindrosa”, já que este indicador situa-se em torno dos 20% no país.

“É evidente que temos de reduzir despesas, mas não queremos fazer coisas de forma brusca”, salientando que, para já, não haverá despedimentos na Função Pública, uma vez que o Estado é o principal empregador do país.

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