A petrolífera francesa Total anunciou este sábado que vai entrar no ramo da comercialização de combustíveis em Angola através de uma parceria com a estatal angolana Sonangol, que cederá os primeiros 45 postos de abastecimento. Em comunicado enviado à agência Lusa, a multinacional francesa, operadora petrolífera em Angola desde 1953, esclarece que as duas companhias “decidiram criar uma ‘joint-venture’ para desenvolver atividades de retalho e de distribuição no país, o quarto maior mercado da região subsaariana”.

“A ‘joint-venture’ Total-Sonangol irá inicialmente concentrar-se na atividade de distribuição e venda de combustíveis e lubrificantes no segmento B2C [mercado empresarial], lançando uma rede de bombas de combustível com a marca Total. Ela desenvolverá, em paralelo, atividades no B2B [retalho]”, refere a petrolífera francesa.

A Total acrescenta que, “dependendo” dos “avanços no atual processo de liberalização” da comercialização de combustíveis a retalho — que continua concentrada no grupo da empresa estatal Sonangol –, a petrolífera francesa “também pretende desenvolver através desta parceria tanto atividades de logística como de fornecimento de derivados de petróleo, incluindo a importação e armazenamento primário de produtos refinados”.

Com base neste acordo, a Sonangol “vai contribuir com 45 bombas de combustível já existentes em áreas urbanas e nas estradas nacionais” para a parceria, que chegará desta forma a dez províncias do litoral e centro de Angola.

A Total vai trabalhar com o seu parceiro para desenvolver rapidamente esta rede, de forma a alcançar os mais elevados padrões internacionais de venda a retalho e melhorar a qualidade da distribuição de combustível em todo o país”, garante a petrolífera francesa, que em Angola produz, em média, todos os dias, cerca de 230.000 barris de petróleo.

Esta parceria, recorda a Total, ainda está sujeita “à avaliação pelas autoridades que regulam a concorrência” em Angola.

Angola contava em 2015 com mais de 900 postos de abastecimento de combustíveis, segundo dados do Governo. A maioria destes postos, contentorizados e construídos de raiz (494), estava nas mãos da estatal Sonangol Distribuidora.

Seguia-se a privada Pumangol, com 71 postos de abastecimento, e depois a Sonangalp, participada em 49% pela portuguesa Galp Energia e detida maioritariamente pela Sonangol, que operava quase meia centena de postos.

No entanto, a administração da Sonangol anunciou em 2015 que a petrolífera angolana pretendia desinvestir naquela parceria com a portuguesa Galp, por também ter este tipo de operação de retalho, projetando a alienação da sua quota (51%).

Além das três marcas de implantação nacional, a rede de postos de abastecimento de combustíveis angolana era então constituída por mais de 300 operadoras de “bandeira branca”, das quais 221 instaladas em contentores ao longo das principais vias.