Quando Tiago Martins deu o apito final no Dragão, o FC Porto conseguiu mais do que uma vitória a fechar o ano civil perante os seus adeptos: reforçou a liderança numa jornada em que os seis primeiros classificados se iriam defrontar (ou seja, sabendo que iria ganhar pontos sempre a algum dos principais adversários), deu a melhor prenda possível a uma onda azul que praticamente encheu o estádio esta tarde e igualou o recorde da melhor série de triunfos consecutivos do clube, 15. Brahimi foi o melhor em campo mas Marega tornou-se de novo decisivo. Não tendo nada a ver com o goleador da equipa de Artur Jorge em 1984/85, o maliano confirmou uma regra desde que chegou ao clube – sempre que marca, a equipa ganha.

O vídeo de Natal que também explica um jogo que fica para a história (a crónica do FC Porto-Rio Ave)

Nessa primeira série de 15 trunfos consecutivos, o peso de Fernando Gomes foi bem mais determinante: marcou em 13 partidas (ou seja, ficou em branco apenas em duas) um total de 25 golos, alternando jogos de maior brilho como os cinco golos que fez na goleada por 9-1 ao Vizela e os três que escreveram as vitórias diante de Sp. Braga (fora) e Boavista (casa), com outros de maior dificuldade em que carimbou o triunfo pela margem mínima, como aconteceu contra Belenenses, Farense ou Benfica, todos como visitante. O Bibota (1983 e 1985), que ganhou 14 títulos nas duas passagens pelas Antas com Sporting de Gijón pelo meio – uma Taça dos Campeões Europeus, uma Supertaça Europeia, uma Taça Intercontinental, cinco Campeonatos, três Taças de Portugal e três Supertaças –, foi o grande baluarte dessa equipa de Artur Jorge em termos ofensivos; Marega, num outro ponto de influência e contexto, teve esse papel agora no conjunto de Sérgio Conceição.

O internacional foi decisivo no triunfo frente ao Rio Ave por 2-1, confirmando ainda antes da primeira meia hora a reviravolta no marcador depois dos golos iniciais de Carlos Vinicius e Brahimi. Desta forma, o avançado decidiu de forma direta o quinto jogo desde que chegou ao Dragão, depois de já ter consumado também a reviravolta nos Açores com o Santa Clara.

Em paralelo, este foi também o quinto jogo consecutivo a marcar de Marega no FC Porto, um registo que curiosamente já tinha alcançado ao serviço do Marítimo e do V. Guimarães mas que andava a adiar no Dragão. O feito foi alcançado contra a principal vítima do dianteiro africano em Portugal, a quem marcou nove golos no Campeonato (e mais um na Taça da Liga).

Ao todo nesta série, Marega apontou 12 golos em 15 jogos, tendo ficado em branco num terço dessa série vitoriosa dos azuis e brancos que começou depois da derrota na Luz com o Benfica, na sétima jornada da Primeira Liga, e que teve encontros a contar para o Campeonato, para a Taça de Portugal, para a Taça da Liga e para a Champions. Mas há outro dado ainda mais assinalável do avançado que chegou a ser uma espécie de patinho feio dos adeptos e entretanto se tornou num dos grandes heróis dos adeptos: nos 29 jogos em que marcou de azul e branco, entre 2015/16 (um), 2017/18 (16) e 2018/19 (12), o FC Porto ganhou sempre. Um talismã que confirma uma das frases chave na quebra do jejum de títulos: “No Marega, no party”.