O antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, criticou no seu comentário semanal deste domingo as declarações de deputados do PS e PSD sobre as alterações de estatutos no Ministério Público e a possibilidade de se aumentar o número de nomeados pelo poder político para o Conselho Superior do Ministério Público (CSMP).

“Este é um momento em que o Ministério Público está com uma avaliação muito positiva na sociedade portuguesa”, destacou o comentador. “Antigamente a sensação que havia é que só a arraia-miúda é que era investigada e agora são investigados os políticos, os banqueiros, os clubes de futebol, gente poderosa e influente. Então se o Ministério Público finalmente está a funcionar bem melhor, porque é que vamos mexer nisto? Ninguém percebe.

Para o ex-líder do PSD, não há qualquer sentido de oportunidade nas propostas levantadas no Parlamento pelos deputados Jorge Lacão (PS) e Carlos Peixoto (PSD) — que levaram inclusivamente a procuradora-geral Lucília Gago a ameaçar demitir-se se a composição do CSMP for alterada. O primeiro-ministro António Costa reagiu entretanto, deixando claro que o Governo não pretende avançar com essa alteração. Rui Rio, contudo, insiste na necessidade de ter uma maioria de não-magistrados nesse órgão.

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Marques Mendes considera que esse investimento no tema leva a que se crie uma “suspeita terrível”, numa altura em que “há muitos políticos em Portugal incomodados com investigações de combate à corrupção, sobretudo do PS e do PSD”.

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O comentador da SIC reforçou que “ninguém percebe” a prioridade que tem sido dada ao tema.

Numa altura em que há tantos problemas na saúde, num momento em que o Governo está cercado por greves, num momento em que está aflito com novas falhas na Proteção Civil, num momento em que há notícias de arrefecimento da economia, acho que não lembra ao careca introduzir um tema que não diz nada a ninguém”, afirma.

Como sugestão, Marques Mendes pede aos políticos “no Governo e na oposição” que a prioridade seja antes a de aumentar os meios de investigação do Ministério Público. E deu como exemplo o caso do BES, que foi há falência há mais de quatro anos: “Ainda não há ninguém acusado nem julgamento marcado porquê? Porque faltam meios para investigar.”