O analista Constantino Xavier afirmou esta segunda-feira que o Brasil vai voltar a olhar para África, uma região que “precisa e vai continuar a precisar de investimentos”, e pode encontrar complementaridades noutras economias emergentes, como a Índia. “A Índia retraiu-se em África e focou-se noutras regiões. O mesmo aconteceu com o Brasil que depois da expansão dos ‘anos Lula’ se retraiu, devido à crise interna, financeira e política, mas acredito que vai reinvestir no setor privado e no comércio”, sugeriu o investigador do Brookings Índia, um instituto de pesquisa sediado em Nova Deli.

Mesmo que Bolsonaro, o futuro presidente do Brasil “seja um herdeiro de Trump”, Constantino Xavier diz que o que está em causa é a economia: “Há interesse em fortalecer as relações com África, um continente onde se encontram países com elevado crescimento económico e que interessem às empresas brasileiras que sofreram muito nos últimos anos”.

A recuperação, acrescentou, só se consegue “com importações e exportações, com comércio com investimento noutras regiões e África é uma região que precisa e vai continuar a precisar destes investimentos”.

“Suspeito que [o Brasil] vai voltar a olhar para África com interesse”, defende Constantino Xavier, realçando que podem ser criadas “complementaridades” com a Índia, que estava “muito focada no mundo anglófono, mas que começa agora a olhar para outras regiões como a África francófona e lusófona”.

Mais do que concorrentes, Brasil e Índia “são duas potências complementares”, continuou o académico, dando como exemplo fóruns de cooperação de potenciais regionais já existentes como o do grupo de países alternativo aos BRIC conhecido como BASIC (Brasil, Índia China e África do Sul).

Aludiu também à importância do espaço indo-atlântico, uma zona extensa que pode ligar e fomentar parcerias entre países como a Índia, o Brasil, Portugal e Moçambique para responder ao peso crescente de superpotências como a China.