Rádio Observador

Tsunami

Como a Indonésia voltou a falhar aos cidadãos na hora de alertar para um tsunami

133

O Estado voltou a falhar na hora de avisar os cidadãos de que havia um tsunami a caminho. O facto de não haver um sismo e de a maré estar alta são fatores relevantes, mas não ilibam autoridades.

Tsunami na Indonésia fez mais de 200 mortos e mais de mil feridos

FERDI AWED/AFP/Getty Images

Mesmo que o tsunami do último sábado fosse mais difícil de prever do que outros anteriores — por não ser precedido de um sismo — o lamento das autoridades não deixa dúvidas: o Estado indonésio voltou a falhar na hora de dar o alerta. Após o tsunami de 2004, que fez mais de 200 mil mortos (a maioria, 126.915, na Indonésia), o país reforçou os sistemas de alerta e de ação das autoridades, mas isso não impediu novas falhas. Esta já é a terceira vez que o Estado indonésio é acusado de falhar este ano, com um rasto de milhares de mortos pelo caminho.

As centenas de pessoas (na manhã desta segunda-feira eram 281 os mortos confirmados) atingidas pelo tsunami no sábado à noite estavam absolutamente descansadas e não procuraram abrigo, pois não tinham qualquer informação das autoridades do que podia estar para vir. Como lembra a CNN, num artigo com o título “Como o sistema de alerta de Tsunami da Indonésia voltou a falhar aos cidadãos”, apesar do historial de tsunamis provocados por erupções vulcânicas e terramotos, o país continua sem um sistema de alerta eficaz.

Já antes do tsunami de sábado à noite, contam-se mais dois casos só em 2018. No final de setembro, mais de duas mil pessoas morreram quando o tsunami e um terramoto atingiram a ilha de Celebes. Também aí vários cidadãos apontaram o dedo ao Estado indonésio por não terem recebido qualquer aviso.

[Veja no vídeo as imagens aéreas que mostram a dimensão da destruição na Indonésia]

A Indonésia tem um sistema de alerta desenvolvido pelo Centro Alemão de Investigação em Geociências (GFZ), um serviço oferecido pela Alemanha àquele país após o sismo de 2004. Segundo o diretor de geoserviços da GFZ, Joern Lauterjung, nesse sismo de outubro o sistema de alerta tsunami funcionou, mas as autoridades não comunicaram devidamente à população. Na altura, chegou a ser emitido um alerta de tsunami após o terramoto (que provocou o tsunami), mas foi suspenso meia hora depois.  “O problema foi a comunicação entre as autoridades locais e as pessoas, por exemplo na praia, como aconteceu em Celebes”, disse Joern Lauterjung. O diretor da GFZ acrescentou ainda: “Se olharmos para toda a cadeia de alerta, desde a emissão de um sinal de alerta até o último quilómetro, até à população local em perigo, houve um problema ali (…) Por exemplo, parece que as sirenes não funcionaram, e não houve alertas à população local nos altifalantes dos carros da polícia.”

Também em julho e agosto uma série de terremotos atingiu a região de Lombok, provocando deslizamentos e desmoronando edifícios que provocaram mais de 400 mortos, numa má gestão também apontada às autoridades indonésias.

O diretora da Agência de Metereologia, Climatologia e Geologia (BMKG) da Indonésia, Dwikorita Karnawati, garantiu que a agência vai tentar instalar medidores de maré que permitam detetar ondas mais perto da costa, admitindo que o atual sistema foi incapaz de prever o tsunami antes do tempo. Dwikirita Karnawati explicou que o tsunami pode ser “causado por vários fatores” e que os sensores do sistema “não emitiram alertas precoces porque estão direcionados para detetar atividade tectónica e não atividades vulcânicas. Daí que seja necessário estar em coordenação permanente com outras agências, como agências marítimas e geológicas”.

As autoridades indonésias confundiram inicialmente o tsunami com uma maré crescente e chegaram a apelar à população para não entrar em pânico. Terá havido mais uma vez negligência das autoridades que, em vez do excesso de zelo, optaram por desvalorizar a situação. “Foi um erro, sentimos muito”, escreveu na rede social Twitter o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres, Sutopo Purwo Nugroho.

O tsunami ocorreu devido a um deslizamento de rochas que resultou da erupção do vulcão Anak Krakatoa, que movimentou um grande volume de água e gerou a onda de tsunami. O problema é que, nessa altura, existia maré alta, o que dificultou a perceção das autoridades. Além disso, normalmente antes de um tsunami há um terramoto (que serve de pré-aviso quer às populações, quer às autoridades) que desta vez não se verificou.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rpantunes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)