A China é o país onde se vendem mais veículos, mas tem sobretudo, e de longe, o maior mercado de automóveis eléctricos, onde se transaccionam anualmente tantos carros a bateria como no resto do planeta. Faz por isso todo o sentido, para qualquer construtor não chinês, estar presente neste mercado asiático. E, para o fazer sem restrições, convém ter um parceiro local, de preferência que consiga controlar.

A Jiangling Motors Co. Group, ou JMCG, é um fabricante chinês fundado em 1947, com seis fábricas no mercado interno onde produz de tudo um pouco, de veículos comerciais a pequenos utilitários, com motores de combustão. Possui igualmente uma subsidiária, a JMEV, criada em 2015, especializada em veículos eléctricos e é exactamente desta JMEV que o Grupo Renault adquiriu uma “significativa” fatia, sem que François Provost, o chairman para a região Ásia-Pacífico do grupo francês, tenha revelado o valor da aquisição ou a percentagem adquirida.

Esta entrada da Renault no capital da JMEV “está perfeitamente em linha com os nossos objectivos para os veículos eléctricos, que revelam um grande potencial de crescimento nos próximos anos”, defende Provost, confirmando que a JMEV é um importante construtor chinês e que a parceria “vai permitir ao Grupo Renault optimizar as outras actividades que mantém na China”. Pelo seu lado, o CEO da JMCG, Wan Jianrong, reconhece que “o Grupo Renault é um dos mais importantes no segmento dos veículos eléctricos na Europa” e que esta associação com o grupo francês “encaixa-se perfeitamente na estratégia de crescimento da JMCG”.

Para a Renault, esta entrada no capital da JMEV tem ainda a vantagem de lhe permitir vir a abastecer-se de baterias chinesas em condições vantajosas, para os veículos a produzir e comercializar no mercado local, mas igualmente para exportar para a Europa, sobretudo quando essas mesmas baterias atingirem o estágio de evolução e densidade energética necessários para o mercado do Velho Continente.

De recordar que um em cada quatro veículos eléctricos que circulam na Europa são do Grupo Renault, enquanto a JMEV não espera comercializar mais de 50.000 veículos eléctricos na China este ano, com ambos os fabricantes a pretenderem rapidamente incrementar a percentagem que detêm no mercado.

A aquisição de uma parte da JMEV pelos franceses vai agora ser analisada pelo Governo chinês no início de 2019, não sendo antecipada grande oposição ao investimento francês.