As baterias são tradicionalmente pesadas e volumosas, apesar de estarem a evoluir em ambos os domínios. É isto que as torna relativamente difíceis de adoptar num automóvel eléctrico alimentado por acumuladores e, ainda mais, em qualquer aparelho que voe, sejam aviões ou helicópteros. E a prova é que em relação a estes últimos, o recorde de voo foi fixado em 2011, quando um helicóptero eléctrico, em França, conseguiu deslocar-se durante… dois minutos!

Já existe uma série de drones a voar constantemente por esse mundo fora, porém nenhum tem ainda possibilidade de operar normalmente a transportar pessoas e carga. O objectivo é que o venham a conseguir muito em breve mas, até agora, são apenas protótipos que revelam grande potencial de passar à produção em série dentro de um par de anos. No entanto, a Lung Biotechnology não podia esperar.

Qualquer grande cidade, especialmente se possuir vários hospitais, tem necessidade de transportar com urgência órgãos para transplante. Nos EUA, muitos pulmões são entregues pela Lung Biotechnology, empresa criada por Martine Rothblatt, distinguida pela Forbes como uma das 100 maiores mentes no mundo dos negócios.

Rothblatt adora desafios e se nos anos 90 deu nas vistas ao criar o sistema de rádio por satélite Sirius, mais recentemente criou uma empresa farmacêutica para desenvolver um medicamento para tratar a doença pulmonar (hipertensão arterial pulmonar) da sua filha, a United Therapeutics. Mais recentemente, esta empresa criou uma subsidiária, a referida Lung Biotechnology, especializada na recuperação de pulmões de seres humanos e que está, neste momento, a desenvolver uma tecnologia que visa “produzir” pulmões para transplante a partir de suínos.

A Lung Biotechnology já utiliza helicópteros para transportar para os hospitais os órgãos de que necessita, mas esses aparelhos, que em média realizam voos de até 100 km, queimam cerca de 70 litros por hora, a maioria das vezes por cima das grandes cidades, já de si poluídas. Daí que Rothblatt tenha pensado em encontrar um helicóptero eléctrico, especialmente agora que está em vias de multiplicar por 100 o número de órgãos que são necessários nas mesas de operação. Como não há helicópteros deste tipo no mercado e nenhum dos fabricantes mostrou interesse no projecto, a empreendedora – também ela piloto de helicópteros e aviões – decidiu produzir o seu.

Com a ajuda da californiana Tier 1 Engineering, foi adquirido um Robinson R44, por ser leve, de onde foi retirado o motor Lycoming (225 kg) e depósito de combustível, sendo montado no seu lugar dois motores eléctricos (para maior segurança) e uma bateria de polímeros de lítio de 500 kg, com a capacidade de 67 kWh. Em Dezembro, o R44 eléctrico já foi capaz de voar durante 22 minutos, com o fabricante a admitir que poderá ir mais longe com o actual pack de baterias. Mas Rothblatt está convencida que, já em 2019, vai ser possível atingir o objectivo e voar uma hora, com duas pessoas a bordo e carga (total 270 kg).