O Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo, distrito de Évora, vai entrar em obras de reabilitação em janeiro, num investimento de 6,6 milhões de euros, revelou esta quinta-feira à agência Lusa fonte do Ministério da Cultura.

A mesma fonte indicou que a recuperação do imóvel, classificado como Monumento Nacional e que está degradado, vai avançar em duas fases, a primeira de contenção e a segunda de reabilitação.

Segundo a fonte da tutela, as obras de contenção vão envolver uma verba de 1,6 milhões de euros, financiada pelo Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, enquanto a reabilitação vai custar cerca de cinco milhões de euros e contará com apoio de fundos comunitários.

A abóbada de uma das salas do Convento da Saudação, onde funciona a associação cultural O Espaço do Tempo, dirigida pelo coreógrafo Rui Horta, ruiu parcialmente, em outubro, alegadamente devido ao furacão ‘Leslie’.

“Na verdade, a causa próxima foi o furacão, mas isto tem a ver com 18 anos de abandono, desde que nós aqui estamos e com uma chamada de atenção constante para os problemas do Convento da Saudação”, afirmou, na altura, Rui Horta, em declarações à Lusa.

Na semana passada, em Évora, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse que estavam “identificadas as necessidades de intervenção” e que já existe “um acordo entre o Estado e o município para o início da intervenção”.

“Há uma primeira intervenção, que vai permitir escorar e, portanto, conter o edifício para que, depois, possa ser feita a intervenção de reabilitação geral do edifico”, referiu, indicando que a obra iria “iniciar-se previsivelmente em janeiro”.

A responsável pela pasta da Cultura assinalou que a primeira fase dos trabalhos “durará cerca de um ano” e que, depois, “está previsto, [em colaboração] com o município de Montemor-o-Novo, iniciar-se a obra de reabilitação do convento”.

A “luz ao fundo do túnel” para a recuperação do Convento da Saudação, do século XVI, que aguarda há anos obras de reabilitação, surgiu com a assinatura, em agosto, do auto de cedência de utilização do edifício entre a Direção-Geral do Tesouro e a Câmara de Montemor-o-Novo.

O acordo estabelecido com o Estado, válido por 39 anos, podendo ser renovado, explicou, na altura, o município, “tem por finalidade exclusiva a recuperação deste imóvel tendo em vista a sua aplicação a fins culturais”.

O Convento de Nossa Senhora da Saudação pertenceu à Ordem Dominicana e acolheu sempre grande número de religiosas, até que, no século XIX, foi ocupado pelo Estado, que aí instalou um asilo (permaneceu até aos anos 60 do século XX).