James Harrison possui um tipo de sangue raro, que produz um anticorpo capaz de prevenir a doença de Rhesus. Esta trata-se de uma patologia que pode causar a morte do bebé durante a gravidez ou após o parto, devido a anticorpos presentes no sangue da mulher que destroem as células de sangue do seu bebé.

Conhecido pela alcunha “Homem do Braço de Ouro”, Harrison doou sangue durante 60 anos, praticamente todas as semanas. Durante esse tempo, foram cerca de 2,4 milhões de bebés a quem salvou a vida. Agora, aos 81 anos, acaba de ultrapassar a data limite para doar sangue, tendo sido obrigado a “reformar-se” das doações.

Aos 14 anos, Harrison foi submetido a uma cirurgia, na qual foram feitas transfusões de sangue essenciais à sua sobrevivência. Terão sido estas trocas que deram origem ao anticorpo “salva-vidas” de Harrison. E porque as transfusões lhe salvaram a vida, Harrison quis fazer o mesmo. A partir do momento em que o seu tipo de sangue “mágico” foi descoberto, cientistas australianos passaram a fabricar uma vacina administrada em grávidas ou em recém-nascidos como forma de prevenção da doença de Rhesus.

Cada bolsa de sangue é preciosa, mas o sangue de James é particularmente extraordinário. O seu sangue é usado sob a forma de uma medicação salva-vidas, dada às mães cujo sangue põe em risco os seus fetos. E mais de 17% das mulheres na Austrália estão em risco, por isso James já ajudou a salvar muitas vidas”, disse Jemma Falkenmire, da Cruz Vermelha Australiana, à CNN

Jemma Falkenmire acrescentou que a Austrália foi um dos primeiros países a descobrir um dador de sangue com este anticorpo, facto que considera revolucionário. Agora, Harrison é visto como um herói nacional, tendo já recebido inúmeros prémios pela sua generosidade, incluindo a Medalha da Ordem da Austrália — uma das mais prestigiadas honras do país. Confessa que este seja talvez o seu único talento e apela a que outros com este tipo raro de sangue se cheguem à frente e o façam com a mesma boa vontade que ele fez.