É o primeiro passo para uma gigante tecnológica ficar mais parecida com um autêntico banco: a Google obteve a sua primeira licença bancária, a partir da Lituânia, e vai poder disponibilizar serviços financeiros idênticos aos que os bancos tradicionais fornecem em todo o espaço económico europeu.

Segundo explicam o jornal espanhol El Economista e o Jornal de Negócios, a Google vai passar agora a atuar como qualquer outra finetch — empresas que juntam os termos finanças e tecnologia e se dedicam à inovação e otimização de serviços financeiros e que beneficiam de custos operacionais menores quando comparado com os bancos tradicionais. Apesar de ter funções limitadas em comparação com a banca, a empresa tecnológica vai poder processar pagamentos, depósitos e transferências bancária,s assim como remessas internacionais.

Por ter adquirido a licença na Lituânia, que é um país mais permissivo neste tipo de processos, a permissão estende-se a todos os países do espaço económico europeu, repetindo-se o que aconteceu com o Facebook, que obteve a mesma licença na Irlanda, e com a Amazon que obteve no Luxemburgo.

As fintech, contudo, ainda não são regulamentadas como a banca tradicional, o que faz com que muitos especialistas alertem para os perigos que as grandes plataformas digitais representam para a banca.

Segundo o Negócios, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, tem vindo a alertar para o facto de as extensas bases de dados das gigantes tecnológicas representarem grandes desafios para os bancos. É que, segundo o governador, os bancos tradicionais têm bases de dados mais limitadas geograficamente do que as bases de dados das gigantes tecnológicas, e têm sistemas mais pesados e menos ágeis do que as empresas tipo Google, Facebook, Apple e Amazon.