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Assédio Sexual

Kevin Spacey em maus lençóis? Rapaz que o acusa de agressão sexual terá filmado avanços do ator

A alegada vítima terá filmado uma das últimas vezes em que Kevin Spacey lhe tocou, a 7 de julho de 2016. O vídeo mostrará o rapaz a afastar-se e Kevin Spacey a insistir, tateando-lhe as virilhas.

Kevin Spacey já foi acusado de agressões sexuais por mais de uma dezena de pessoas. Uma delas foi o ator Anthony Rapp, que garante ter sido alvo de avanços indesejados quando tinha 14 anos

Tim P. Whitby/Getty Images for Sony Pictures

O rapaz que acusou o ator Kevin Spacey de o ter apalpado sem consentimento, quando teria (garante a sua mãe) 18 anos, terá filmado os avanços do ator sobre si a 7 de julho de 2016, num restaurante em Nantucket, Massachusetts, no qual trabalhava. Os documentos da investigação fazem referência a um vídeo alegadamente enviado pelo jovem à sua namorada, através da aplicação Snapchat, que poderá mostrar Spacey a tatear as calças e as virilhas da alegada vítima, refere a estação norte-americana NBC. Por norma, os vídeos enviados através desta plataforma tendem a apagar-se automaticamente, mas também podem ser guardados.

A recetora do vídeo, alegada namorada do rapaz que é filho de uma jornalista de televisão de Boston (Heather Unruh, que denunciou o caso), terá recebido uma primeira mensagem do companheiro dizendo-lhe que Kevin Spacey estava a “fazer-se” a ele. Porém, como a recetora não terá acreditado na versão, o rapaz terá  então “enviado o vídeo através do Snapchat”, segundo referem documentos da investigação. O vídeo poderá mostrar “uma das últimas vezes em que Spacey lhe tocou” nesse dia.

Os documentos da investigação policial referem ainda que a alegada vítima terá “tentado afastar-se com o corpo”, afastando também as mãos de Kevin Spacey de si, mas o ator “continuou a tentar tocar-lhe nas calças”. O relatório indica ainda que a polícia terá mostrado à alegada vítima o vídeo que esta garante mostrar os avanços do ator sobre si nesse dia. O rapaz terá confirmado que aquelas eram as roupas que vestia no dia em que diz ter sido sexualmente agredido.

A investigação adianta ainda que o rapaz afirmou à polícia que o caso “não teve um ‘efeito emocional profundo” em si, mas que terá reportado o ataque sexual de que diz ter sido alvo à polícia de Nantucket, no final de outubro de 2016 (cerca de três meses depois dos acontecimentos) por não querer que “acontecesse a mais ninguém”. O rapaz terá sido inquirido pela polícia do estado de Massachusetts um ano depois, em novembro de 2017 — o mesmo mês em que a mãe denunciou o caso publicamente.

O ator norte-americano, um dos mais reputados de Hollywood, já vencedor de dois Óscares, foi acusado pela mãe de um rapaz de ter assediado sexualmente o seu filho no bar-restaurante The Clube Car, em Massachusetts, em novembro de 2017. A mãe da alegada vítima acusou Spacey de ter “embebedado” o rapaz pagando-lhe várias bebidas, depois de este lhe ter dito que tinha idade suficiente para beber. Nos Estados Unidos da América, a idade mínima para poder ingerir bebidas alcoólicas é de 21 anos.

A vítima, o meu filho, era um jovem de 18 anos heterossexual que ficou encantado e que não fazia ideia que o ator famoso era um alegado predador sexual, nem que estava prestes a tornar-se na sua próxima vítima”, declarou a mãe, que trabalha como jornalista do canal de televisão WCVB-TV.

Na recente véspera de Natal, 24 de dezembro, foi revelado que Kevin Spacey será acusado de agressão sexual e lesão corporal por este caso, devendo ser presente a juiz dia 7 de janeiro. O ator respondeu à notícia de forma sui generis, divulgando um vídeo no Youtube em que parecia falar das recentes acusações e do julgamento popular que quer evitar ao estilo de Frank Underwood, a personagem que interpretou na série “House of Cards”. O vídeo, aliás, tem um título ambíguo: “Let me be Frank”, que tanto pode significar “deixem-me ser franco” como “deixem-me ser o Frank”.

No vídeo, Kevin Spacey diz saber que o público o “quer de volta” e refere: “Claro que houve quem acreditasse em tudo e estivesse à espera de me ouvir confessar tudo. Estão mortos por me ouvir declarar que tudo o que disseram é verdade e que tive o que merecia. Mas não vou pagar pelo que não fiz”.

Em novembro de 2017, mês em que Spacey foi acusado publicamente pela mãe de um rapaz de 18 anos, os representantes legais do ator afirmaram que o ator pretendia ser avaliado e tratado por profissionais médicos. Foi também nesse mês que a Netflix despediu Kevin Spacey, que foi ainda “cortado” de um filme de Ridley Scott um mês antes da sua chegada às salas de cinema, sendo substituído pelo ator Cristopher Plummer. Este ano, Kevin Spacey entrou apenas no filme “Clube dos Bilionários”, de James Cox.

Além deste caso, Kevin Spacey foi ainda acusado de assédio e ataques sexuais por mais de duas dezenas de pessoas. Um dos casos mais mediáticos foi a acusação do ator Anthony Rapp, que garantiu ter sido alvo de assédio por parte de Kevin Spacey quando tinha 14 anos. Em resposta, o ator aproveitou para revelar publicamente que é homossexual, pedindo ainda desculpas a Rapp: “As minhas desculpas sinceras pelo que poderia ser um comportamento alcoólico profundamente inapropriado. Esta história encorajou-me a abordar outros assuntos da minha vida. Sei que saíram histórias sobre mim e algumas têm sido alimentadas pelo facto de ter protegido tanto a minha privacidade… escolho agora viver como um homem gay. Quero lidar com isto honestamente e abertamente e isso começa por examinar o meu próprio comportamento”, referiu.

A revelação acabou por incomodar boa parte da comunidade gay, que sentiu que Kevin Spacey aproveitou a sua orientação sexual para distrair o público das acusações sérias de que foi alvo, estabelecendo até uma relação direta entre a homossexualidade e o assédio sexual.

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