A Fórmula é há muito vista como a categoria mais refinada e sofisticada do desporto automóvel. Não só os seus pilotos são os melhores do mundo – e mais bem pagos –, como os engenheiros das diferentes equipas produzem chassis extremamente eficazes, do ponto de vista aerodinâmico e desempenho em curva, enquanto os responsáveis pelos motores fabricam autênticas obras de arte, possantes e robustas. Sim, porque hoje cada piloto tem de disputar 21 Grandes Prémios, com sessões de treinos livres, cronometrados e corridas, utilizando apenas três motores ao longo do ano. Isto se quiser evitar penalizações pesadas.

E ninguém tem dúvidas que, quando chega o momento de acelerar, nada é tão rápido quanto um F1 moderno, pois não só o seu motor 1.6 V6 turbo, associado ao eléctrico do sistema Kers, fornece cerca de 1.000 cv, como o peso do carro com o piloto (fato, botas, interiores ignífugos e capacete) lá dentro não deve ultrapassar os 734 kg.

F1 há muitos, uns mais competitivos do que outros, essencialmente devido à verba que as equipas têm para gastar. E a prova é que a Mercedes e a Ferrari, com orçamentos estimados em 450 e 430 milhões de euros, respectivamente, foram as únicas a disputar o campeonato do mundo. A Red Bull ficou atrás com 350 milhões, mas como não teve de desenvolver o motor (usa Renault), provavelmente até usufruiu de uma verba superior para investir no chassi e aerodinâmica. A Renault ficou em 4º lugar e dispunha de somente 200 milhões de euros para tudo, motor e chassi.

Quanto faz um F1 de 0-100 km/h?

A Mercedes lidera com os 797 cv que retira do motor a gasolina sobrealimentado, o que se somarmos aos 165 cv do sistema Kers, dá um total de 962 cv. O motor alemão é o mais potente da F1, seguido pelo Ferrari com menos 15 cv, o da Renault com menos 43 cv e, por fim, a Honda que fica a 69 cv do melhor. As diferenças são grandes e só compensáveis por ganhos noutras áreas, como na aerodinâmica, onde o “mestre” Adrian Newey (Red Bull) dá cartas, justificando o salário de 10 milhões de euros por ano.

No momento do arranque, em seco e com o piloto a realizar uma saída limpa, ou seja, evitando um patinar excessivo dos pneus – sempre delicado pois é muita potência passada a apenas duas rodas –, um F1 da Mercedes pode ir de 0-100 km/h em apenas 1,7 segundos, se tudo correr na perfeição. Qualquer falha, ou um carro menos possante, como o Toro Rosso que montam os Honda, já é difícil baixar dos 2,0 segundos e se a pista não tiver borracha suficiente (devido por exemplo a uma chuva na noite anterior), então 2,7 segundos pode ser considerado um valor aceitável, que consideraremos para efeito deste trabalho.

Até onde conseguem ir os desportivos de série?

Estabelecidos os 2,7 segundos como o tempo necessário para um F1 ir de 0 a 100 km/h em condições não necessariamente perfeitas – essencialmente porque os carros de série, homologados para circular na estrada, também não podem recorrer a pneus de competição nas provas de arranque –, é impressionantemente longa a lista de veículos capazes de ‘bater o pé’ aos carros pilotados por Lewis Hamilton, que este ano se sagrou pentacampeão do mundo de F1.

Há vários aspectos curiosos no ranking de modelos com que é possível ir tomar uma bica, para de seguida “dar uma sova” no Hamilton, só até aos 100 km/h, é claro. Para começar, há superdesportivos e pacatas (mas rápidas) berlinas familiares. Depois, e para lançar ainda mais a confusão, há veículos equipados com enormes motores a gasolina, mas não faltam também os modelos eléctricos, cujos motores são alimentados por bateria. O estranho é que não há nenhum Ferrari ou Lamborghini neste rol de superestrelas, pelo que ficam de fora as marcas tradicionalmente apontadas como referências neste domínio.

Da análise da lista sobressai igualmente a importância da tracção, que é o grande entrave a que os F1 sejam substancialmente mais rápidos. Dos modelos que vão estar à venda durante 2019, são mais céleres a chegar aos 100 km/h os equipados com quatro rodas motrizes. Confira na fotogaleria que veículos desafiam os F1 modernos e que argumentos esgrimem.