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A Comissão de Análise a Incidentes e Acidentes Graves (CIAG)  que esteve a investigar o acidente com o elétrico da Carris, que descarrilou este mês, na zona da Lapa, em Lisboa, e provocou 28 feridos ligeiros, concluiu que o descarrilamento “ocorreu por erro humano”, informou a Carris em comunicado. O guarda-freio não respeitou a “sinalização específica existente na Rua de S.Domingos à Lapa” e não acionou corretamente os sistemas de frenagem do elétrico.

A Comissão de Inquérito concluiu que o acidente ocorreu por erro humano, não tendo o guarda-freio respeitado a sinalização específica existente na Rua S. Domingos à Lapa”, lê-se no comunicado.

O motorista do elétrico foi submetido a testes no local e no dia do acidente para despiste de álcool e estupefacientes no sangue, que deram negativos, confirmou quer fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP) quer a porta-voz da Carris, Inês Andrade. “Todos os habituais testes de despiste de álcool e drogas foram efetuados pelas autoridades no local, com resultado negativo”, informou a porta-voz ao Observador.

A comissão nega que o acidente tenha sido provocado por “anomalias no veículo, tendo-se provado que os respetivos sistemas de frenagem estavam em perfeitas condições de funcionamento”. Da investigação foi ainda possível afastar a hipótese de que o acidente esteja relacionado com condições da linha e da via férrea. “Todas as medições realizadas comprovam que o seu estado se encontra dentro dos limites definidos de segurança”, pode ler-se no comunicado.

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O acidente não pode ser justificado por anomalias no veículo, tendo-se provado que os respetivos sistemas de frenagem estavam em perfeitas condições de funcionamento“, lê-se na nota.

Segundo apurou o Observador, a Junta de Freguesia da Estrela ainda não teve conhecimento dos resultados deste inquérito. O relatório resultou de uma “análise pormenorizada às condições da via, da linha aérea e do veículo” e de vários “depoimentos dos intervenientes e testemunhas”. Paralelamente, decorre um inquérito da investigação criminal de divisão de trânsito da PSP que ainda não está concluído, revelou fonte policial ao Observador.

As primeiras fotos e vídeos do elétrico que descarrilou em Lisboa

O descarrilamento de um elétrico na zona da Lapa, em Lisboa, fez 28 feridos ligeiros: cinco americanos, um chinês, um filipino, um guineense e os restantes portugueses. Entre os feridos estavam duas crianças, uma delas um bebé. O elétrico 25E descarrilou no cruzamento da Rua São Domingos à Lapa com a Rua Garcia de Orta, em Lisboa.

Segundo relatos de testemunhas no local, seguiria a grande velocidade, quase cheio, quando saiu dos carris, virou-se e embateu na esquina de um prédio ficando quase desfeito. “Vi que ele [o guarda-freio] estava em pânico, que teve um problema. Notei que ele estava numa situação de nervos e não conseguiu controlar o elétrico”, disse uma das testemunhas à SIC Notícias.

Condutor do elétrico vai ser alvo de processo disciplinar

Na sequência das conclusões do relatório elaborado pela Comissão de Inquérito a Acidentes Graves, divulgadas esta sexta-feira pela Carris, o guarda-freio vai ser alvo de um processo disciplinar, conforme consta no Acordo de Empresa da Carris para estes casos, disse à Lusa uma fonte da empresa.

Segundo a mesma fonte, o guarda-freio não está ao serviço desde o dia do acidente, porque a empresa abriu um inquérito no qual está envolvido.

Na audição da Comissão de Inquérito, o guarda-freio declarou que tem já bastante experiência na carreira 25E e disse que não conseguia explicar porque o carro não travou, pois, segundo a sua opinião, fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar o que e veio a ocorrer.

Questionado sobre a sua formação, nomeadamente sobre a obrigatoriedade de imobilizar o veículo na presença da sinalização apropriada e sobre como combater o escorregamento, disse que sabe que deve efetuar as paragens em causa e que também praticou o bloqueamento das rodas, colocando o manipulo em neutro e atuando os sistemas de frenagem.

O guarda-freio declarou ainda que o piso estaria escorregadio, afirmando que observou um carro dos bombeiros a derrapar na sua travagem.

À data do acidente, o guarda-freio tinha 23 dias de condução, tendo iniciado a atividade no passado dia 6 de novembro, e já tinha tido um acidente com responsabilidade no dia 6 de dezembro, refere a Carris, sem avançar mais pormenores sobre este acidente.

Posteriormente a este acidente de 6 de dezembro, o guarda-freio foi acompanhado e foram dados conselhos para guardar distância de segurança para os veículos da frente.

“Em termos de condução, o tripulante apresentou algumas dificuldades ao nível da passagem por obstáculos, dificuldade essa que foi melhorando ao longo do tempo após várias correções e sensibilizações”, adianta a Carris. “Do ponto de vista das suas aptidões físicas e psicológicas não apresenta inconvenientes para o exercício das suas funções”, acrescenta a empresa.

No relatório, a Comissão de Inquérito recomenda “o reforço da quantidade de inspetores, entre um a dois elementos, para reduzir o rácio de guarda-freios por inspetor, de forma a potenciar e a reforçar” a formação contínua de guarda-freios, bem como a inspeção com maior frequência em locais classificados como “perigosos”.

Aconselha também a revisão do Manual de Formação do Guarda-Freio, adicionando como deve ser a presença de cada um dos sinais específicos e não apenas a apresentação do seu esquema gráfico e designação.

A realização de inspeções de rotina por parte dos “inspetores de enquadramento” (formação contínua) em diversos locais no sentido de “identificar e agir, proativamente, nos casos de incumprimento” de sinalização específica, em particular no que concerne às paragens obrigatórias de segurança, que venham a ser detetados.