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Crimes Sexuais

Equipa feminina acusa presidente da Federação de Futebol do Afeganistão de agressão sexual

Keramuudin Karim é acusado de ter abusado sexualmente de atletas num quarto escondido no seu gabinete. Uma delas conta que o presidente da Federação afegã lhe apontou uma arma.

Khalida Popal, antiga capitão da seleção afegã de futebol, tem lutado pelos direitos das mulheres no desporto e fora dele

DANIEL LEAL-OLIVAS/AFP/Getty Images

A seleção feminina de futebol do Afeganistão acusou o presidente da federação afegã, Keramuudin Karim, de abuso sexual, agressões físicas, assédio e ameaças, noticiou o jornal The Guardian. A Procuradoria-Geral afegã decidiu suspender o presidente e mais quatro membros da Federação de Futebol do Afeganistão (FFA) depois de ter investigado as acusações tornadas públicas pelo jornal britânico.

A FIFA também está a investigar o caso e tem trabalhado com a ONU para garantir a segurança das jogadoras. A FFA disse, por sua vez, que “rejeita vigorosamente as falsas acusações que se relacionam com a seleção feminina de futebol” e que tem “uma política de tolerância zero em relação a esse tipo de comportamentos”.

O caso foi tornado público por várias mulheres ligadas ao futebol afegão, incluindo Khalida Popal, que chegou a ser dirigente da secção de futebol feminino antes de fugir do país em 2016. A antiga capitã da seleção afegã apercebeu-se de que havia algo errado, em fevereiro, num campo de treino na Jordânia que organizou para equipas nacionais. A equipa feminina afegã chegou com dois homens que dormiam no mesmo quarto que as jogadoras e que as coagiam e agrediam. Popal ligou ao presidente da federação para acabar com esta situação, mas as agressões continuaram e nove atletas acabaram por ser expulsas da equipa.

É muito difícil para nós, vivendo no país, falar destas coisas, porque estes são tipos muito poderosos. Se uma jogadora do Afeganistão levantar a voz pode ser morta”, disse Khalida Popal ao The Guardian. Por isso mesmo, as atletas que falaram com o jornal britânico, preferiram manter o anonimato, receiam pela própria segurança e a das famílias.

Uma das atletas diz que Keramuudin Karim lhe apontou uma arma à cabeça, depois da agressão sexual, ameaçando-a que a mataria e à família se falasse com a comunicação social. Outra diz que ele ameaçou que lhe cortava a língua, porque ela fugiu depois de ter sido agredida sexualmente. Uma terceira foi expulsa da equipa e acusada de ser lésbica depois de ter evitado as investidas do presidente.

O quarto escondido

Pelo menos duas atletas contaram ao The Guardian que no gabinete do presidente existe uma divisão escondida, como um quarto de hotel, que só abre com a impressão digital de Karim. A uma das jogadoras, a que viu a arma apontada à cabeça, terá dito depois de a fechar no quarto: “Grita o quanto quiseres, ninguém te vai ouvir, não te conseguem ouvir”. A atleta conta que foi agredida na cara, sangrou do nariz e da boca, caiu na cama e acabou por perder os sentidos por causa das agressões. “Quando acordei, as minhas roupas tinham desaparecido e havia sangue por todo o lado. Estava a tremer, não sabia o que me tinha acontecido. A cama estava coberta de sangue, o sangue vinha da minha boca, nariz e vagina.”

Foi quando ameaçou que ia contar tudo à comunicação social que terá visto uma arma apontada à cabeça e ouviu a ameaça à sua vida e da família. Depois disso foi expulsa da equipa e acusada de ser lésbica, o que no Afeganistão é, já por si, um risco. Porque é que as atletas não apresentam queixa às autoridades? Por um lado, Karim tem muito poder e influência, foi governador de uma província afegã e pertenceu ao Ministério da Defesa. Por outro, apresentar queixa depois de serem expulsas da equipa dá a ideia de que só se querem vingar.

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