Morreu o escritor Amos Oz. O autor israelita, co-fundador do movimento pacifista Paz Agora, tinha 79 anos e morreu na sequência de um cancro. A notícia foi avançada por uma das filhas do escritor que, através do Twitter, anunciou que o pai morreu “em paz, depois de uma breve luta contra o cancro”.

Numa entrevista publicada em outubro deste ano, Amos Oz recusou comentar os rumores à cerca do seu débil estado de saúde. À data, apenas disse à publicação Haaretz: “Não estou bem, mas estou a lutar”.

Autor de uma vasta obra traduzida em mais de 30 línguas, incluindo romances e ensaios, Amos Oz nasceu em Jerusalém e atualmente vivia em Telavive. Foi professor de Literatura na Universidade Ben-Gurion e em vida dedicou-se à militância em prol da paz entre palestinianos e israelitas. Desde 1991 que era membro da Academia da Língua Hebraica.

Amos Oz foi várias vezes apontado como candidato ao Nobel da Literatura, mas nunca chegou a ganhar o galardão. É, ainda assim, um dos mais importantes escritores israelitas da atualidade, juntamente com David Grossman.

Em setembro foi editada em Portugal, pelas Publicações D. Quixote, a obra Caros Fanáticos, um conjunto de três ensaios sobre “fé, fanatismo e convivência no século XXI”, escritos a partir de “um sentido de urgência e preocupação e na crença de que um futuro melhor ainda é possível”, lê-se na sinopse daquele que é o último livro publicado do escritor. O livro surge dez anos volvidos da publicação de Contra o Fanatismo.

O traço comum [dos três ensaios] é a análise do fanatismo combinada com uma apologia à moderação. Independentemente do tipo de fé e do contexto em que o fanatismo – religioso, político ou cultural – se expressa, ele é, para Amos Oz, o verdadeiro inimigo do presente. Juntamente com este tema, Oz aborda a atual situação no Médio Oriente e o conflito israelo- árabe, apresentando com ousadia o seu argumento da existência de dois estados como solução para o que ele chama «a questão de vida ou de morte para o Estado de Israel»”, lê-se na sinopse de Caros Fanáticos.

O livro foi editado em Portugal em setembro deste ano

O romance Judas, de Amos Oz, editado em fevereiro de 2016 em Portugal, foi distinguido em novembro com Prémio do Livro Yasnaya Polyana, criado pelo Museu Leo Tosltoi, na Rússia. “Amos Oz é provavelmente o escritor mais conhecido e mais importante de Israel”, afirmou à data o escritor e ensaísta Valentin Kurbatov, um dos membros do júri do prémio, o mais importante da Rússia. Judas foi ainda nomeado para o Man Booker Prize em 2017.

O prémio russo junta-se a uma lista de várias distinções, entre as quais os prémios Femina (1988), o da Paz dos Livreiros Alemães (1992), assim como o Prémio Israel de Literatura (1998), o Goethe (2005), o Grinzane Cavour (2007) e o Príncipe das Astúrias de Letras (2007). Em 2013 recebeu o Prémio Franz Kafka e, em 2015, o Pak Kyongni, da Coreia do Sul.

Em Portugal estão traduzidos os seus livros A Caixa Negra, Conhecer Uma Mulher, A Terceira Condição, Não Chames Noite à Noite, Uma Pantera na Cave, O Meu Michael, O Mesmo Mar, Uma História de Amor e Trevas, Cenas da Vida de Aldeia, Entre Amigos e Judas, além de Caros Fanáticos.

Em 2015, Natalie Portman realizou um filme baseado no livro de memórias do escritor — “Uma História de Amor e Trevas” foi exibido em ante-estreia em Portugal em 2016 no Judaica, festival de cinema e cultura judaica. O filme conta com realização e argumento de Portman, que também protagoniza a longa-metragem ao lado dos atores Makram Khoury, Shira Haas e Mor Cohen. O filme dramático narra parte da vida do escritor, ao mesmo tempo que acompanha a história política do seu país.