A taxa de desemprego no Brasil recuou 0,5 pontos percentuais no trimestre de setembro a novembro, passando para 11,6% face aos 12,1% registados de junho a agosto, divulgou esta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em números totais, o órgão de pesquisa brasileiro referiu que o desemprego no trimestre encerrado em novembro atingia 12,2 milhões de pessoas. Embora os números tenham indicado uma ligeira melhoria, a maior parte dos postos de trabalho geradas estão no mercado informal, onde houve um aumento de 528 mil pessoas a trabalhar por conta própria e cerca de 498 mil empregados do setor privado sem contrato.

O aumento de empregados do setor privado sem contrato de trabalho chegou a 4,5% nesse trimestre encerrado em novembro, totalizando 11,7 milhões de pessoas. Já o número dos trabalhadores autónomos cresceu 2,3%, atingindo 23,8 milhões de pessoas.

Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, destacou que o trabalho sem contrato vem acompanhado de fatores desfavoráveis como a falta de estabilidade e o rendimento baixo. “Desde o segundo trimestre de 2018, percebeu-se uma queda significativa da desocupação, o que seria uma notícia excelente não fosse o facto de ela vir acompanhada por informalidade. Ou seja, em termos de qualidade, há uma falha nesse processo de recuperação, já que desde 2012 esse é o maior índice de informalidade medido”, disse.

O coordenador do IBGE avaliou que a ausência de postos de trabalho com contrato formal criou uma geração de trabalhadores voltados para a sobrevivência, como motorista de transporte de passageiros através de serviços de Internet, vendedores ambulantes e serviços de alimentação. Como essas pessoas não se sentem seguras, elas não investem na aquisição de bens e isso trava o mercado de trabalho, gerando um círculo vicioso. “É importante que o mercado de trabalho volte a gerar postos com contrato de trabalho para retornar a um círculo virtuoso de geração de emprego e renda”, concluiu Cimar Azeredo.

A pesquisa do IBGE mostrou, também, que o contingente de brasileiros à procura de trabalho somados aos subocupados por insuficiência de horas (7 milhões de pessoas) e força de trabalho potencial (7,8 milhões de pessoas) chega a 27 milhões de pessoas, o que representa uma taxa composta de subutilização de força de trabalho de 23,9%. Já o total de pessoa em idade economicamente ativa e que não procuraram trabalho, foi estimado em aproximadamente 4,7 milhões no trimestre encerrado em novembro.