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Marcel Keizer e a regra de cinco segundos que valeu o apuramento para a final a quatro (a crónica do Feirense-Sporting)

O Sporting apurou-se para a final four da Taça da Liga e mostrou mais uma vez que é exímio a aplicar a regra de cinco segundos que Keizer ensinou. A crónica do Feirense-Sporting.

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Fábio Poço

Fábio Poço

Esta sexta-feira, véspera do jogo decisivo entre Feirense e Sporting, o jornal A Bola publicou uma longa entrevista com Bruno Fernandes. Ao longo de várias páginas, o médio leonino falou sobre o ataque à Academia de Alcochete, a rescisão, o regresso, José Peseiro e Jorge Jesus. E claro, sobre Marcel Keizer, o holandês que chegou a meio da primeira metade da temporada para resgatar uma equipa adormecida e dar-lhe um balão de oxigénio. Sobre os métodos do treinador, Bruno Fernandes destacou a “regra de cinco segundos”, segundo a qual os jogadores têm apenas cinco segundos para recuperar a bola assim que a perdem. Ensinada na teoria e aprimorada nos treinos, tem sido esta regra a nortear a organização do Sporting.

À entrada para o jogo deste sábado, os leões queriam afastar os fantasmas deixados pela derrota do passado domingo, frente ao V. Guimarães, e sabiam que estavam obrigados a ganhar para conseguir chegar à final four da Taça da Liga. Nas contas do Grupo B, o Feirense era líder com seis pontos e o Sporting tinha três, assim como o Estoril, que ia à Madeira jogar com o já eliminado Marítimo: o Feirense só precisava de empatar para seguir em frente, Sporting e Estoril tinham de ganhar e esperar pelo resultado um do outro. Caso ambos ganhassem, a passagem à final four seria decidida entre as três equipas através da diferença entre golos marcados e sofridos.

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Ficha de jogo

Feirense-Sporting, 1-4

3.ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga

Estádio Marcolino de Castro, em Santa Maria da Feira

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

Feirense: Brígido, Diga (Valência, 69′), Bruno Nascimento, Philipe Sampaio, Vítor Bruno, Babanco, Tiago Silva, Crivellaro (Marco Soares, 79′), Sturgeon (Brian, 85′), Edinho, Luís Machado

Suplentes não utilizados: Caio, Briseño, Cris, Tiago Mesquita

Treinador: Nuno Manta Santos

Sporting: Salin, Ristovski (Bruno Gaspar, 82′), Coates, Mathieu, Acuña (Jefferson, 89′), Petrovic, Miguel Luís, Bruno Fernandes, Diaby, Dost, Raphinha (Jovane, 69′)

Suplentes não utilizados: Luís Maximiliano, André Pinto, Mané, Gudelj

Treinador: Marcel Keizer

Golos: Raphinha (4′), Bruno Fernandes (22′), Tiago Silva (p, 23′), Bas Dost (p, 60′), Luís Machado (ag, 67′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Diga (39′), Philipe Sampaio (57′), Vítor Bruno (63′), Jovane (71′), duplo cartão amarelo e vermelho a Tiago Silva (76′)

Ora, para a visita a Santa Maria da Feira, Marcel Keizer continuava sem ter Nani nem Montero e ao boletim clínico acrescentava-se o guarda-redes Renan. Entrou Salin para o onze, assim como Ristovski para o lugar de Bruno Gaspar, Petrovic em vez de um fatigado Gudelj, Coates, que regressou da suspensão, em vez de André Pinto, e Diaby em detrimento de Jovane. Do outro lado, Nuno Manta Santos fazia três alterações face ao jogo anterior: as saídas de Tiago Mesquita, Briseño e Cris e as entradas de Diga, Bruno Nascimento e Luís Machado.

O Sporting entrou em campo com as linhas subidas e com o jogo a passar sempre por Bruno Fernandes e Miguel Luís, médios interiores esquerdo e direito, que jogam permanentemente a poucos metros um do outro e criam uma densidade posicional que não só é o pilar da construção leonina como serve enquanto primeiro bloqueio à equipa adversária. Nas alas, Raphinha mostrava-se mais ativo do que Diaby, que passou 45 minutos a perder confrontos com o lateral Diga e nem sempre conseguiu envolver-se nas movimentações de área que lhe valeram os golos que marcou na era Keizer. Aos cinco minutos, numa altura em que as duas equipas ainda se mediam e não existia qualquer aproximação a nenhuma das balizas, Bruno Fernandes surgiu nos terrenos interiores onde costuma brilhar, colocou em Raphinha, na direita, e o brasileiro puxou para dentro e rematou de pé esquerdo, em jeito, sem hipótese para Bruno Brígido. Recuperação de bola, transição rápida, eficácia nota 20: o primeiro golo do Sporting foi uma lição tática e a Marcel Keizer restou acenar com a cabeça em sinal de satisfação.

Bruno Fernandes pediu aos colegas que o ritmo se mantivesse depois do primeiro golo mas nem todos o ouviram. Em vantagem, os leões deixaram cair as linhas, baixaram os blocos, abriram espaços entre os setores e adormeceram ligeiramente — já que o Feirense, a falhar o passe de ligação entre o meio-campo e o ataque, também não fazia o suficiente para assustar Coates, Mathieu e companhia. Crivellaro, a atuar enquanto número 10 assente na solidez de Babanco e Tiago Silva nas costas, foi o mais atrevido dos fogaceiros e tentou por inúmeras vezes servir Edinho, o homem mais avançado da equipa de Nuno Manta Santos.

Já depois dos 20 minutos, foi preciso um passe a rasgar de Coates para criar desequilíbrios e descobrir Bruno Fernandes, que de primeira fez um chapéu exemplar a Bruno Brígido a aumentou a vantagem. No lance seguinte, de forma algo inesperada, Petrovic cometeu grande penalidade sobre Crivellaro e Tiago Silva converteu a grande penalidade. O Feirense voltava ao jogo e à discussão da final four da Taça da Liga e talvez tenha sido esse o motivo que levou o Sporting a reagir melhor ao segundo golo e à redução da desvantagem do que ao primeiro. Os leões não voltaram a permitir que a equipa da Feira se adiantasse no terreno, cortaram a profundidade que Tiago Silva tentava explorar nas costas da defesa ao lançar Crivellaro em passes longos e podiam ter feito o terceiro, por intermédio de Bruno Fernandes. Quando Rui Costa apitou para o descanso — depois de um livre perigoso de Mathieu –, os leões estavam instalados no meio-campo defensivo adversário e tinham como objetivo dilatar a vantagem. Ainda assim, e mesmo apesar de o Estoril também ter ido para o intervalo a vencer o Marítimo na Madeira, o Sporting sabia que com esta conjugação de resultados era a equipa apurada para a fase seguinte da Taça da Liga.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Feirense-Sporting:]

Os leões regressaram para a segunda parte sem o ímpeto com que deixaram a primeira e o jogo foi-se arrastando com pouca qualidade durante o primeiro quarto hora, sempre mais tombado para a área de Salin: Luís Machado quase isolou Edinho, num lance em que valeu ao Sporting a coragem de Mathieu, e Vítor Bruno arriscou de longe, com um remate forte e direcionado que não passou longe da baliza. Do outro lado, Dost passava um pouco ao lado da partida e tinha dificuldades em receber de costas para o guarda-redes, como tantas vezes faz, com objetivo de fazer combinações com Bruno Fernandes, Miguel Luís, Raphinha ou Diaby. Os dois laterais, ambos muito ofensivos, estiveram este sábado mais restringidos às funções defensivas, quiçá por indicação de Keizer. Ainda assim, Bruno Fernandes continua em ótimo plano e Petrovic realizou um jogo acima dos níveis que tem demonstrado, sempre muito certo e com muito assertividade no passe e na decisão.

Nesta fase de maior marasmo criativo, Philipe Sampaio fez Bas Dost cair na grande área e Rui Costa assinalou grande penalidade. Na conversão, Dost não falhou e dilatou a vantagem para 1-3. Minutos depois — e após Diaby ficar muito perto do golo –, Miguel Luís tentou encontrar o holandês sozinho ao segundo poste mas Luís Machado antecipou-se e acabou por fazer auto-golo. Antes dos 70 minutos, o Sporting estava a vencer por 1-4 e o Estoril, mesmo a ganhar na Madeira, precisava de marcar mais quatro golos e não sofrer nenhum para chegar à final four da Taça da Liga. Até ao final, Jovane ainda entrou e abanou a baliza de Brígido com um remate ao poste e Petrovic poderia ter coroado uma boa exibição com um golo de cabeça. Tiago Silva viu duplo cartão amarelo e o consequente vermelho, por protestos, e acabou por deixar o Feirense a jogar com menos um elemento nos últimos 15 minutos.

O Sporting ganhou e ganhou bem, principalmente porque entrou no jogo com a noção de que teria de vencer e marcar muitos golos para garantir a passagem à próxima fase da Taça da Liga. Mas Marcel Keizer, principalmente, voltou a ganhar: Keizer e a regra de cinco que valeu o apuramento para a final a quatro.

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