Na mensagem de ano novo, Catarina Martins antecipa aquilo que pode ser 2019 mas ocupa uma parte significativa da mensagem para fazer o balanço daquilo que foi a legislatura até ao momento. “Nas eleições de 2015, tivemos apenas 10% dos votos, mas nestes anos transformámos cada voto que nos confiaram em propostas concretas”, começa por dizer a coordenadora do Bloco de Esquerda. “Fizemos tudo o que podíamos fazer com a força que nos deram“, afirma mais à frente, no vídeo divulgado este sábado.

Tentado justificar o facto de não ter conseguido implementar mais medidas ao mesmo tempo que pede que seja dada mais confiança ao Bloco de Esquerda, Catarina Martins elenca uma série de “conquistas” cuja autoria reclama para o seu partido: das pensões à gratuitidade dos manuais escolares, passando pela tarifa social da energia ou pela atribuição de contratos efetivos para milhares de precários, a líder bloquista não quer deixar passar em claro nenhuma das medidas que têm o dedo do BE.

Nas ruas e nas redes sociais, esta tem sido uma luta que se tem feito em surdina com o PCP que, através de flyers online ou de outdoors, têm apresentado listas com as medidas que cada partido considera terem visto a luz do dia pela sua influência. Ainda assim, tal como o BE sempre tem dito, deixa a ideia de que aquilo que foi alcançado “não foi suficiente”.

E, não fosse 2019 um ano de eleições, Catarina Martins avança com uma promessa: a de que, no próximo ano, o Bloco de Esquerda vai responder “com mais força para garantir o que conta, e o que conta é a segurança das pessoas”, afirma, utilizando uma palavra que Francisco Louçã usou várias vezes no discurso que fez na última convenção do Bloco e que bem podia ser um slogan das campanhas que aí vêm. Neste campo, começa a estabelecer um caderno de encargos para 2019: pensões sem cortes, salários e casas dignos, transportes públicos de qualidade, creches e escolas públicas.

Além da segurança, para o BE 2019 será também o ano “da responsabilidade” – onde inclui medidas mais macro como a proteção “de Portugal dos mercados financeiros”, a criação de emprego ou uma política de combate às alterações climáticas. Em resumo, outro slogan: “A segurança de cada pessoa, a responsabilidade pelo país”.

No fim, alerta para a importância das eleições que vão marcar 2019. “Teremos eleições nacionais e europeias e em cada uma delas escolhemos o nosso futuro. Escolhemos quem queremos ao nosso lado. Escolhemos em quem confiamos para lutar por nós, para lutar connosco por um país de verdade”, avisa. E termina com novo leque de frases-chave: “Estamos onde sempre nos encontrámos; caminhamos lado-a-lado”.

Já esta quinta-feira, Jerónimo de Sousa tinha divulgado a sua mensagem de ano novo. À semelhança do que fez Catarina Martins, também o secretário-geral do PCP falou de 2019 como sendo um ano de escolhas e em que os portugueses serão confrontados com “opções decisivas”, num discurso – tal como o de Catarina Martins – em tom de pré-campanha.

PCP entra em campanha eleitoral. Na mensagem de ano novo, Jerónimo de Sousa fala de “opções decisivas” em 2019