A Turquia e a Rússia chegaram este sábado a um “entendimento” sobre a coordenação das operações militares na Síria, revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, depois de Donald Trump ter anunciado a retirada dos dois mil soldados norte-americanos que ajudavam a combater o Estado Islâmico no país.

“Chegou-se a um entendimento sobre como os representantes militares da Rússia e Turquia no terreno vão continuar a coordenar as operações nestas novas condições, com o objetivo final de erradicar a ameaça terrorista na Síria”, afirmou Lavrov depois de uma reunião que juntou oficiais turcos e russos em Moscovo, citado pela agência de notícias russa RIA-Novosti.

Sem adiantar grandes pormenores sobre o encontro, que descreveu como “muito útil”, o ministro russo disse apenas que foi dada “especial atenção às novas circunstâncias” que surgiram na sequência do anúncio feito pelos Estados Unidos da América na semana passada. De acordo com Lavrov, a integridade territorial da Síria foi confirmada.

Donald Trump anunciou, na semana passada, a retirada das forças militares norte-americanas da Síria, uma decisão que se acredita que terá fortes consequências na realidade geoestratégica da guerra síria. A resolução do presidente provocou a demissão do enviado especial dos Estados Unidos para a coligação militar contra o Estado Islâmico, Brett McGurk, que se mostrou chocado.

O anúncio de Trump levou também a que os combatentes curdos pedissem ajuda ao governo sírio para proteger a cidade de Manbij, no norte da Síria, dos ataques dos turcos. No início de 2018, a Turquia levou a cabo uma forte ofensiva no noroeste do país, que só não alargou a outras zonas por ali se encontrarem os Estados Unidos, seus aliados da NATO. Os turcos consideram os curdos sírios terroristas, que colocam ao mesmo nível que o Estado Islâmico.