Pouco depois da meia hora de jogo, no seguimento de um lance onde Ederson fez uma defesa monstruosa após cabeceamento de Charlie Austin, Bernardo Silva surgiu sentado no chão, com sangue na mão, a tenta estancar a ferida na zona do sobrolho. Não estava propriamente contente com o que tinha acontecido mas foi assistido, saiu das quatro linhas e voltou ao terreno de jogo em sprint, tentando ajudar a equipa na saída em posse que estava a ser feita desde a zona do guarda-redes. Criou mais uma linha de passe, a bola foi rodando entre vários jogadores e dali podia ter nascido mais uma jogada de perigo. O português, mais do que ninguém, tinha a perfeita noção da importância da vitória do Manchester City frente ao Southampton.

Depois de uma pequena paragem por lesão, o antigo jogador do Mónaco cumpriu este domingo o oitavo encontro consecutivo em dezembro como titular, entre Campeonato e Liga dos Campeões. E com influência crescente, apesar dos resultados recentes: fez uma assistência na derrota dos citizens com o Crystal Palace (3-2) e marcou o único golo da equipa no desaire frente ao Leicester (2-1). No final, foi o esquerdino que veio a público assumir o mau momento da equipa. “Para nós, perder dois jogos consecutivos não é suficiente e não é normal. Tudo passa agora pelo carácter da equipa. Sabemos que as coisas não estão a correr bem mas temos de mostrar coração, temos de melhorar e temos de recuperar do atual momento. Sete pontos de diferença para o Liverpool começa a ser demais. Temos de encontrar explicações para não estarmos a jogar como devíamos nesta fase para voltarmos aos triunfos e começarmos a recuperar”, destacou o número 20.

As palavras não demoraram a passar aos atos diante do Southampton: logo aos dez minutos, Bernardo Silva inventou um lance de perigo sozinho na direita, foi galgando metros e fez a assistência para o toque final de David Silva. Os visitados, que apresentam francas melhorias desde a chegada de Ralph Hasenhüttl, ainda empataram por Pierre Hojbjerg aos 37′, aproveitando um erro de Zinchenko em zona proibida, mas um autogolo de Ward Prowse (45′) e um cabeceamento de Kun Agüero (45+3′) colocaram o conjunto de Pep Guardiola em vantagem por 3-1 antes do intervalo.

De acordo com os dados do OptaJoe, o 1-0 foi o décimo golo do Manchester City na Premier League com influência direta de Bernardo Silva (cinco golos, cinco assistências), igualando assim o registo que conseguiu ao longo de toda a última temporada (seies golos, quatro assistências) quando estamos ainda a meio da presente época.

Apesar de ter beneficiado de boas oportunidades no segundo tempo, incluindo uma bola na trave de Agüero (antes de dar lugar no ataque a Gabriel Jesus) e lances isolados de Sterling e Mahrez, o Manchester City viria a ganhar por 3-1 sem mais golos no segundo tempo, resumindo assim para a sete a desvantagem na tabela classificativa para o líder Liverpool, numa altura em que as duas equipas estão a menos de uma semana de se defrontarem no Etihad Stadium (quinta-feira, às 20 horas).

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