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O legado de Pedroto na maior das vitórias de Sérgio Conceição (a crónica do Belenenses-FC Porto)

FC Porto começou a perder, mudou antes do intervalo, deu a volta e acabou em cima do Belenenses. Com isso, ganhou (2-1), apurou-se para a Final Four da Taça da Liga e fez (ainda mais) história.

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Jogadores, técnicos e restante staff voltaram a juntar-se na habitual roda depois do jogo perto dos adeptos azuis e brancos no Jamor

Filipe Amorim / Global Imagens

Jogadores, técnicos e restante staff voltaram a juntar-se na habitual roda depois do jogo perto dos adeptos azuis e brancos no Jamor

Filipe Amorim / Global Imagens

António Oliveira é uma daquelas figuras do futebol português que em alguns períodos tem tendência para cair no esquecimento, também pelo seu perfil discreto e pelas poucas aparições públicas (agora nem tanto por estar como comentador da RTP3), mas basta haver um pretexto para se falar nele e em tudo aquilo que representou como jogador e treinador para se perceber toda a importância que teve não só no FC Porto mas também na Seleção Nacional ou no Sporting. Era um génio com a bola nos pés, um irreverente na forma de pensar o futebol, um técnico que conseguia criar dinâmicas ofensivas muito fortes nas suas equipas. Uma delas colocou-o de novo na nossa memória, a de 1996/97, nos dragões. Era seu jogador um tal de Sérgio Conceição.

FC Porto vence Belenenses no Jamor por 2-1 e defronta Benfica na meia-final da Taça da Liga

Essa equipa, em duas temporadas, conquistou outros tantos Campeonatos, uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Nos registos extra títulos, conseguiu 16 pontos na fase de grupos da Liga dos Campeões (o que era um recorde único e que foi igualado esta temporada) e estabelecer também uma série de 13 vitórias consecutivas, igualando então os feitos de Siska (1939/40), Yustrich (1957/58) e Stessl (1980/81). Depois da derrota na Luz, à sétima jornada, o atual conjunto dos azuis e brancos igualou essa marca, passou também os 14 triunfos de André Villas-Boas, igualou os 15 de registo máximo que pertencia a Artur Jorge e foi mais longe. Nada que mexa muito com Conceição. “Não é falsa modéstia mas vou desvalorizando esta sequência. Claro que fico satisfeito com as vitórias, que são importantes, mas mais importante do que o recorde é a passagem à Final Four da Taça da Liga e a possibilidade de ganharmos um título que o FC Porto ainda não conseguiu. Um dia mais tarde a minha satisfação até pode ser maior e vivida de outra forma mas a sensação que tenho é esta”, disse em entrevista ao Record este sábado.

O técnico dos portistas trabalhou com grandes nomes do futebol nacional enquanto jogou na Primeira Liga ou na Seleção, como Oliveira, Jorge Jesus, Humberto Coelho ou José Mourinho. E conheceu na passagem por Itália outros monstros dos bancos, casos de Malesani, Héctor Cúper, Mancini ou Erikssson. Entre todos, admite que Arrigo Sacchi, o bicampeão europeu de clubes pelo AC Milan na década de ouro do clube entre o final dos anos 80 e o início da década de 90, foi aquele que maior marca deixou, “por tudo o que representou para o futebol mundial e ainda hoje é para os italianos”. No entanto, mesmo não tendo trabalhado com ele, há algo que une Sérgio Conceição a outro técnico histórico no futebol português e no FC Porto: José Maria Pedroto. Aquele que um dia disse a frase “Só a vitória final é o objetivo”, que ainda hoje estava numa tarja nas claques azuis e brancas.

Ficha de jogo

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Belenenses-FC Porto, 1-2

3.ª jornada do grupo C da Taça da Liga

Estádio Nacional, em Lisboa

Árbitro: Manuel Oliveira (AF Porto)

Belenenses: Mika; Gonçalo Tavares, Cleylton, Nuno Coelho (Henrique, 63′), Luís Silva, Reinildo; Eduardo (Lucca, 74′), André Santos, Ljujic; Dálcio e Dramé (Licá, 62′)

Suplentes não utilizados: Guilherme, Diogo Viana, Bergdich e Gonçalo Silva

Treinador: Silas

FC Porto: Vaná; Maxi Pereira (Hernâni, 39′), Felipe, Militão, Alex Telles; Danilo, Herrera e Bruno Costa (Soares, 39′); Corona, Brahimi (Adrián López, 89′) e Marega

Suplentes não utilizados: Casillas, Mbemba, Óliver Torres e André Pereira

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Reinildo (4′), Marega (53′) e Soares (63′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Eduardo (40′), Marega (48′), André Santos (61′) e Henrique (90+2′)

Questões técnicas e táticas à parte, o último jogo do ano de 2018 foi o espelho da grande mudança que o novo técnico trouxe após a chegada ao Dragão: a recuperação de uma identidade e de uma mística que muitos no clube sustentam ser o maior legado de Pedroto. E isso foi percetível em três momentos: 1) na forma como, mesmo com o FC Porto em cima do Belenenses e a criar oportunidades, assumiu fazer uma dupla substituição antes do intervalo para balancear a equipa de vez para a frente e passar uma mensagem de força para dentro de campo; 2) na conversa que teve com os jogadores ao intervalo, que motivou uma entrada fortíssima que em pouco mais de 15 minutos deu a volta ao resultado; 3) na maneira como, sabendo do resultado do Desp. Chaves com o Varzim, não teve problemas em passar aos jogadores de que era preciso marcarem pelo menos mais um golo – que, no final, acabou por não ser necessário. Pela primeira vez, os dragões saíram a perder ao intervalo mas deram a volta, cumpriram o objetivo da Final Four da Taça da Liga e fizeram história com a 16.ª vitória consecutiva.

“Hoje o limite é um e amanhã tem de ser outro”, sustenta Sérgio Conceição. A verdade é que, com mais ou menos inspiração em alguns jogos e momentos, o FC Porto continua sem conhecer limites. De tal forma que, em ano e meio, o técnico continua a bater recordes: depois de ter igualado os 16 pontos de Oliveira na Liga dos Campeões de 1996/97, depois de ter ganho pela primeira vez cinco encontros consecutivos na Champions, depois de ter conquistado o último Campeonato com 88 pontos (mais dois do que Mourinho, igualando a marca do Benfica de Rui Vitória em 2016), depois de ter acabado a última temporada com a maior média de golos do século (2,52 por jogo) e de ter começado a Primeira Liga com cinco triunfos seguidos em sofrer golos, esta equipa entra agora na história como a primeira a conseguir um total de 16 sucessos consecutivos em todas as competições.

[Clique aqui para ver os melhores momentos do Belenenses-FC Porto em vídeo]

Olhando para as equipas iniciais, houve uma espécie de inversão na lógica habitual. Por norma são as equipas que surgem como favoritas teóricas a mexer mais no onze, dando também minutos à segunda fila de opções, e as “menos favoritas” a manterem as principais unidades porque um triunfo em jogo grande dá sempre outro tipo de confiança para o que se avizinha. Neste caso, e também pelo contexto do próprio encontro – o FC Porto lutava pela Final Four da Taça da Liga, o Belenenses já não tinha qualquer hipótese –, foi o contrário: Sérgio Conceição trocou apenas Vaná por Casillas na baliza e lançou como única novidade Bruno Costa no meio-campo, numa vaga que num esquema de 4x3x3 pertenceria sempre a Óliver Torres ou Sérgio Oliveira; já Silas manteve apenas dois habituais titulares mas, mais do que nomes, mudou em termos táticos.

Com um sistema de três centrais em posse e cinco defesas sem bola, os azuis do Restelo conseguiram surpreender quando ainda se tentava perceber como se iriam apresentar em campo. Primeiro ganharam um canto, depois um livre lateral perigoso, depois mais um canto. Pelo meio, numa bola parada, surgiu mesmo o golo inaugural: Ljulic bateu bem em arco, Cleylton subiu mais alto na área para uma primeira defesa de Vaná mas Reinildo acabaria por conseguir empurrar para a baliza na recarga (4′), naquele que foi o primeiro golo do internacional moçambicano desde que chegou ao clube na presente temporada.

Pelo quinto jogo consecutivo em termos nacionais, o FC Porto começava a perder. E, desta feita, sem capacidade imediata para reagir a essa desvantagem, condicionado no colete de forças que os visitados montavam de forma não só a tirar a profundidade que Marega tanto gosta como também a fluidez de jogo pelos corredores laterais que consegue fazer a diferença. Assim, só aos 20′ houve um primeiro sinal de perigo dos azuis e brancos, com o remate de Bruno Costa à entrada da área a passar perto do poste da baliza de Mika; pouco depois, Corona foi protagonista em dois lances, tendo acertado no último no poste (28′).

Os dragões, mesmo a perder, chegavam à sua zona de conforto onde assentavam arraiais no meio-campo adversário e quase não permitiam ao adversário passar aquela linha de pressão mais alta para lançar as transições. No entanto, a pontaria estava tudo menos afinada: primeiro foi Marega a cabecear ao lado após cruzamento de Alex Telles (31′); depois foi Corona a aproveitar uma bola a pingar na área para, sozinho, atirar ao lado (36′); por fim, de novo Marega, desta vez isolado, a desviar ao lado perante a saída de Mika para tentar fazer a mancha (37′). A defesa do Belenenses abria mas a vantagem ficava e Sérgio Conceição decidiu não perder mais tempo, trocando Maxi Pereira e Bruno Costa por Hernâni e Soares antes do intervalo.

Sérgio Conceição corrigiu alguns posicionamentos na equipa, criou condições para Alex Telles ter outro tipo de influência na dinâmica ofensiva e ganhou o corredor central com o posicionamento mais avançado de Danilo e Herrera. No entanto, não foi só isso que fez a diferença após o intervalo. Ou melhor, não foi isso o principal – os dragões entraram com outra agressividade, com outra vontade, com outra motivação. Disputavam cada bola como se fosse a última, corriam para cada lance como se fosse o primeiro. Estiveram assim até a reviravolta estar consumada, com golos de Marega (53′, após cruzamento de Brahimi na esquerda) e Soares (63′, no seguimento de um livre lateral de Alex Telles) após mais uma bola na trave logo a abrir.

O FC Porto vencia, controlava mas perdera alguma intencionalidade nas abordagens ao último terço de um Belenenses que tinha cada vez menos capacidade de sair com bola e que até em termos estruturais tinham deixado de conseguir surpreender. Do outro jogo vinham dois golos quase de rajada do Desp. Chaves frente ao Varzim, que colocavam os transmontanos a um golo apenas do apuramento. Sérgio Conceição soube da informação, deu indicações para dentro de campo de que era preciso alargar a vantagem. Não aconteceu, por mérito de Mika, que fez intervenções fantásticas a evitar o 3-1. Os azuis e brancos acabaram por não precisar desse último golo para o apuramento mas mostraram nos últimos minutos o que torna uma equipa vencedora. Neste caso, a mais vencedora de sempre – o FC Porto estabeleceu uma nova marca de triunfos consecutivos, 16. E ainda a contar.

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