Porsche

Porsche diz que já está a roubar clientes à Tesla

A marca de Estugarda ainda nem apresentou a versão de produção do seu primeiro eléctrico, mas o director-geral da Porsche nos EUA fez questão de sublinhar que o Taycan já é um êxito comercial. Será?

É um dos lançamentos mais aguardados no próximo ano. O Porsche Taycan, que muita tinta tem feito correr desde que foi apresentado como concept no Salão de Frankfurt em 2015, surgirá em 2019 na sua versão de produção, também no certame germânico, com a marca a fazer saber que o primeiro ano de fabrico (2020) já está completamente alocado.

Em declarações à imprensa local, o CEO da marca no mercado norte-americano, Klaus Zellmer, antecipou que o interesse no modelo tem sido “surpreendente”. Tanto que o primeiro Porsche 100% eléctrico já se salda num êxito comercial, antes mesmo de estar à venda, com a particular nota de que, segundo ele, grande parte dos clientes não só são novos, como “vêm da Tesla”. A mesma Tesla que o mesmo Zellmer descreveu como “impressionante”.

Se o interesse despoletado pelo Taycan é “surpreendente”, as revelações de Klaus não lhe ficam atrás. Desde logo, porque tomam como referência a Tesla, que nunca foi assumida como termo de comparação pela Porsche. Isto apesar de o Taycan ter sido apanhado por diversas vezes a fazer o seu desenvolvimento ao lado de um Model S – para mais, uma unidade antiga.

Segundo, porque é estranho a Porsche sentir necessidade de vir a público referir que grande parte dos novos clientes é proveniente da marca norte-americana de veículos eléctricos, quando é do conhecimento geral que os “tradicionais” rivais do construtor de Estugarda ainda não oferecem qualquer produto 100% eléctrico e, como tal, estão a pagar essa factura. Recorde-se que, ainda recentemente, a Bentley assumiu que está a perder clientes para a Porsche e para Tesla por causa dessa lacuna na sua oferta. Depois, como já se sabe que o Audi e-tron GT só será lançado cerca de um ano depois do Taycan, com o qual partilha plataforma, baterias e motores, (é óbvio que) a Porsche só poderia conquistar clientes à Tesla. Estranho seria se estivesse a cativar clientes à Renault (Zoe) ou à Nissan (Leaf)…

Por fim, estas declarações do responsável máximo da Porsche nos EUA espantam pela ênfase colocada no facto de a produção “estar toda comprometida”. Em bom rigor, não se tratam ainda de vendas, mas sim de reservas das quais os clientes podem desistir se assim o entenderem. Mas mesmo que assumamos as encomendas como vendas, estaremos sempre a falar de 20.000 unidades/ano. Pelo menos, até agora foi esse o objectivo de produção fixado pela marca. Ora, do outro lado do Atlântico, saem das linhas de fabrico, anualmente, entre 50 a 60 mil Model S, a que temos de somar outros tantos Model X.

Se o Taycan não bate o rival no volume de produção, também perde em matéria de potência (600 contra 612 cv) e autonomia (a Porsche anuncia 500 km em NEDC, com a maior bateria, de 90 kWh, contra 613 km nas mesmas condições do P100D, com bateria de 100 kWh). Mas, eventualmente, a característica mais difícil de “vender” aos clientes da marca alemã, habituados a ter o desportivo mais rápido, abaixo dos míticos Ferrari e Lamborghini, será o facto de o Porsche eléctrico ser muito mais lento de 0-100 km/h do que uma berlina americana sem assumidas aspirações desportivas. Se o Taycan é anunciado pela marca como sendo capaz de transpor a barreira dos 100 km/h em “menos de 3,5 segundos”, o Model S P100D faz o mesmo exercício em 2,7 segundos, ultrapassando não só o Taycan, mas também o 911 GT3 RS de 521 cv (3,2 seg.) e até mesmo o 911 GT2 RS de 700 cv (2,8 seg,). Apesar destes “contras”, os valores de comercialização do Taycan (no mercado norte-americano) vão alinhar pelos praticados pela Tesla para as diferentes versões do Model S.

A fazer fé nos pergaminhos da Porsche, a berlina germânica ganhará (isso sim) na qualidade de construção e no comportamento dinâmico. Mas até a vantagem de poder carregar a 350 kW pode ser um trunfo de curta duração, pois o Model S surgiu em 2012 e, como tal, está mesmo “a pedir” a introdução de uma nova geração. Resta saber se isso acontecerá já em 2020, e se Musk está ou não a guardar algum trunfo que lhe permita manter o avanço de quase 10 anos sobre a concorrência. Ou se, pelo contrário, o Taycan vai mesmo ser o primeiro modelo a fazer “mossa” nas contas da Tesla. É o fecho do ano com o jogo em aberto.

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