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Jornais brasileiros antecipam o mandato de Bolsonaro com avisos e desconfiança

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Os jornais brasileiros antevêem quatro anos difíceis, onde se exigem reformas, e alertam para o crescimento da tensão no país. As expectativas e os desafios do mandato do 38º Presidente do Brasil.

RICARDO MORAES / POOL/EPA

A missão não vai ser fácil. Essa ideia parece consensual nos editoriais publicados esta terça-feira, dia 1, nos principais jornais brasileiros. No dia em que Jair Bolsonaro toma posse como 38º Presidente do Brasil, as antevisões e análises que se fazem pintam um cenário difícil para o sucessor de Michel Temer. A crescente tensão social e política é muitas vezes apontada como um dos principais desafios para o novo Chefe de Estado. Mas tanto o jornal Folha de São Paulo como o Estadão lembram que há reformas estruturais que não podem esperar.

É certo que Bolsonaro foi eleito por uma fatia expressiva dos brasileiros que viram nele não o reformista de que o País tanto precisa, mas o homem que se comprometeu a varrer para o passado, quem sabe para o esquecimento, o petismo e seu terrível legado. O presidente cometerá um grave erro, no entanto, se limitar sua agenda e suas energias a essa faxina política e moral [sic]”, escreve o Estadão no seu editorial.

Num texto duro para o novo presidente brasileiro, o jornal alerta para os vários riscos que podem advir se optar por não enveredar por uma via mais reformista do que revanchista. “A encruzilhada em que o País se encontra não permite distrações desse tipo, úteis somente para quem pretende desviar a atenção dos reais e múltiplos problemas que devem ser enfrentados sem delongas”, pode ler-se. “Essa visão tenderá a drenar forças políticas de um governo que deveria concentrar-se no essencial – e nem de longe o essencial, hoje, é fiscalizar o comportamento de professores, enquanto o sistema educacional continua em ruínas”, entende o Estadão.

Esta era uma referência indireta a uma promessa feita na segunda-feira por Bolsonaro. O presidente-eleito prometeu erradicar a “porcaria marxista” em que se tornaram as instituições de ensino no Brasil. “Uma das nossas metas para tirar o Brasil das piores posições nos ‘rankings’ internacionais sobre educação é lutar contra o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino”, escreveu no Twitter.

Para o Estadão, é ainda crucial, mesmo que seja “impopular”, proceder a cortes na despesa, de forma a controlar a economia e evitar uma crise financeira que se pudesse somar às já existentes no país. O diário aponta ainda deficiências na segurança pública, na saúde ou na educação. Problemas que estão”há anos à espera” de ser resolvidos. “Sem demagogia”, acrescenta-se de forma crítica.

A tarefa não será de fácil resolução. “Não é possível imaginar que tantos problemas se resolvam por mágica ou por ato de vontade. É preciso muito trabalho“, alerta ainda o mesmo editorial, que reserva para o fim uma nota de esperança, ainda que pouco convicta: “Com Jair Bolsonaro vão as esperanças de todos os brasileiros”.

No editorial do Folha de São Paulo (link só para assinantes) o tom é outro. Mais contido e menos alarmista, mas não por isso pouco crítico. O grosso do texto analisa uma sondagem do Datafolha que indica que 65% dos brasileiros esperam que o mandato de Bolsonaro seja bom ou ótimo. Mas pelo meio vai deixando alfinetadas. “Avesso a debates e a entrevistas mais inquisitivas, Bolsonaro chega ao Planalto tendo apresentado pouco mais que bandeiras. Nesta segunda (31), por exemplo, prometeu “combater o lixo marxista” no ensino —o que nem de longe responde às carências com as quais se depara a grande maioria dos estudantes da rede pública [sic]”, escreveu o Folha.

O jornal alerta ainda parao perigo de continuar a extremar posições. “Conviria a Bolsonaro uma abertura maior para o diálogo social, sem o que terá dificuldade de implementar reformas difíceis e, mais ainda, de pacificar um país politicamente ainda muito tenso”, lê-se ainda no editorial.

Duas visões que estão marcadas pela expectativa e a incerteza sobre o futuro de um Brasil que chega hoje às mãos de Jair Bolsonaro, que toma posse por volta das 16h (hora de Lisboa) na capital, Brasília.

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