Tesla

O que a Tesla vai trazer de bom em 2019. E de mau…

2018 foi um ano difícil para Tesla, que acabou em alta. Mas 2019 será determinante e, para que tudo corra bem, a marca vai ter de apresentar uma mão-cheia de novidades e evitar uma série de erros.

Como muitos anteciparam, 2018 foi o ano de “ou vai ou racha” para a Tesla, com o fabricante a depender por completo do sucesso do Model 3 e, sobretudo, da sua capacidade de o conseguir fabricar ao ritmo que estava previsto. Muita coisa correu mal, fruto da inexperiência da marca em produzir veículos em grande quantidade, pois de uma capacidade instalada para fabricar 50.000 unidades/ano de Model S e outros tantos de Model X, a Tesla saltou para um ritmo de 250.000/ano de Model 3, valor que quer duplicar antes do final de 2019.

Porém, ainda que com bastante atraso, a Tesla lá conseguiu produzir os 5.000 Model 3 por semana, o que lhe permitiu anunciar pela primeira vez (sem truques ou facturação ocasional) lucros num trimestre, o 3º de 2018, aguardando-se para ver, dentro de uns dias, se tal como Elon Musk prometeu, repete a “façanha” no 4º e derradeiro trimestre de 2018.

Mas se 2018 foi exigente, 2019 vai ser determinante e a vários níveis, com a Tesla a estar obrigada a mostrar ao mercado uma série de produtos para, simultaneamente, continuar a manter uma vantagem tecnológica sobre os concorrentes, o que é tão bom para a imagem como para as vendas, mas sobretudo para gerar lucros que lhe permitam fazer face aos compromissos financeiros que se aproximam.

O que a Tesla tem de apresentar em 2019

Com o contínuo incremento da produção do Model 3, Musk prometeu iniciar a fabricação da versão Standard, aquela que será vendida nos EUA por 35.000 dólares, durante o 2º trimestre do ano, ou seja, até Junho, altura em que o aumento da produção das baterias já deverá permitir vender o modelo por este preço e ter lucro. Paralelamente, o mais acessível dos Tesla vai continuar a alargar o número de mercados em que é comercializado, chegando a Portugal em Fevereiro, para continuar a crescer por essa Europa fora e, inclusivamente, a China. Isto vai alimentar o crescimento das vendas e igualmente o lucro, pois tudo indica que a margem das unidades destinada ao Velho Continente é superior à dos modelos vendidos no mercado americano.

Se a Tesla depende do Model 3 como de pão para a boca, os mais luxuosos e dispendiosos Model S e Model X necessitam de um restyling com alguma urgência. Musk defende que os seus veículos usufruem regularmente de melhorias introduzidas over-the-air, com a marca a não alinhar pelo seus concorrentes, que juntam uma série de melhoramentos e novos pormenores, para os passar a disponibilizar num pacote, idealmente acompanhado por alguns retoques estéticos. Mas as alterações têm de sanar os problemas da falta de rigor nas folgas da carroçaria, bem como alguns problemas que colocam em causa a qualidade interior. Musk já admitiu que vai haver mudanças no habitáculo, não sendo evidente que surjam mexidas por fora. Mas vai certamente haver mudanças nas baterias, com a adopção das células 21700 (já usadas no Model 3) em vez das actuais 18650, que garantem mais 30% de energia para o mesmo volume. Isto vai permitir não só incrementar o pack de baterias para entre 110 e 120 kW, como torná-lo compatível com recargas com potências superiores aos actuais 120 kW. Algures entre 250 e 300 kW.

Curiosamente, a rede de Superchargers é outro dos pontos que tem de ser revisto, não por ser deficiente ou estar desactualizada, mas porque, de repente, se transformou numa importante mais-valia para o mercado europeu. Já existem em solo europeu 1.426 estações de cargas, com um total de 11.852 supercarregadores, no que é a maior rede local de postos rápidos. E pertence exclusivamente à Tesla, que vende a energia por valores (muito) abaixo da concorrência, o que permite sensibilizar os clientes mais racionais, cuja opção pelos veículos eléctricos visa igualmente poupar na carteira. A Tesla prepara para 2019 a introdução dos novos Superchargers V3, também conhecidos como Megachargers, que deverão fornecer energia entre 250 e 300 kW. Entretanto, a rede europeia vai ser duplamente actualizada, isto enquanto é reforçada. Não só os pontos de carga vão passar a V3, como cada Supercharger vai passar a ter uma saída com tomada CCS Combo, com que o Model 3 europeu está equipado.

Outra das novidades de 2019 vai ser a apresentação do Model Y, o SUV construído com base na plataforma e mecânicas do Model 3. A estratégia a seguir vai ser a mesma usada para o Model 3, isto é, apresentação do modelo algures na segunda metade do ano – esteve previsto para Março, mas essa possibilidade parece cada vez mais remota –, para abrir de imediato o período de encomendas. E com o ‘apetite” por SUV que existe nos EUA e na Europa, até pode ser que o Y ultrapasse o meio milhão de reservas conseguido pelo 3. Será produzido na Gigafactory do Nevada e não como o Model 3 em Fremont, na Califórnia, com a fabricação a iniciar-se em 2020. O arranque das encomerndas deverá voltar a assegurar um bom encaixe a Elon Musk, que tem pela frente uma série de investimentos volumosos.

O próximo ano vai trazer-nos também a versão definitiva do Semi, o tractor eléctrico para semi-reboques, com a capacidade de aceleração de um desportivo e um custo por quilómetro imbatível, face aos concorrentes a gasóleo. Encomendas é coisa que não falta e as demonstrações junto dos promitentes-compradores têm vindo a ser realizadas, ao que tudo indica, com muito sucesso. O Semi irá ser apresentado na segunda metade do ano, altura em que serão divulgadas as suas características técnicas e autonomia, para depois as primeiras unidades chegarem aos clientes no início do ano seguinte.

Outro veículo da Tesla que vai ver a luz do dia em 2019 é a pick-up eléctrica, veículo muito popular nos EUA e que Musk prometeu ser “uma pick-up capaz de transportar outra pick-up”. A ansiedade é grande, mas os eventuais interessados vão ter de esperar. Primeiro pelo final do ano, para ver o produto final e, mais uma vez, avançar com um sinal que lhe permita garantir ser dos primeiros a receber o veículo. Depois vão ter de esperar um pouco (bastante) mais para recebê-lo. Isto porque a pick-up só iniciará produção depois do Model Y, ou seja, nunca antes do início de 2021.

Erros que a Tesla tem de evitar

A maior fragilidade que a marca tem de combater é a acusação de uma certa falta de qualidade, até porque a concorrência que vem aí, seja ela com emblema Volkswagen, ou ainda mais refinada, com símbolos da Audi, BMW, Mercedes ou Porsche, é exímia no que respeita à fabricação de veículos. Os construtores alemães podem ficar, pelo menos de início, atrás do construtor americano sob o ponto de vista tecnológico, tanto mais que começaram com seis anos de atraso e isso tem sempre um custo. Mas têm muita experiência, fornecedores de grande confiança e estão habituados a satisfazer os clientes mais exigentes no que respeita à qualidade: os alemães. É por isso fundamental que Musk e a sua equipa resolvam de uma vez por todas as aleatórias folgas entre os painéis da carroçaria, bem como alguns pormenores nos acabamentos e montagem, que muitos clientes associam a falta de rigor e de qualidade.

Outro dos erros que a Tesla tem de deixar de cometer é avançar com prazos inverosímeis na produção. Depois de ter levado quase um ano para chegar à fase actual, em que produz 5.000 Model 3 por semana, a Tesla comprometeu-se a continuar a acelerar até atingir 10.000 no final de 2019. E não pode falhar. Sem este incremento da produção, não há preços competitivos que permitam obter o lucro necessário para disponibilizar o Model 3 Standard a 35.000 dólares.

E a necessidade de gerar lucro não é apenas fundamental para investir em novos veículos, uma vez que a Tesla tem sérios compromissos financeiros para o próximo ano. Para já a Gigafactory na China, de que já arrancou a construção, mas que vai consumir largos milhões até estar concluída, sendo que é ela quem mais vai facilitar a vida a Elon Musk. Ao produzir na Ásia, a Tesla vai passar a usufruir de mais margem de manobra junto dos fornecedores e, simultaneamente, vai reduzir consideravelmente os seus custos fixos. Mas ainda antes de pagar a fábrica, a Tesla tem de liquidar em Setembro uma dívida conversível de 920 milhões de dólares, e os mercados financeiros ficam particularmente nervosos quando estes compromissos não são respeitados.

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