O embaixador interino da Coreia do Norte em Roma, Jo Song Gil, está escondido num “lugar seguro”, avançou a agência de informação sul-coreana num briefing a deputados, em Seul, na sequência de uma notícia avançada pelo diário JoongAng Ilbo.

A informação foi divulgada por um dos deputados presentes na reunião, Kim Min-ki, citado pelas agências Reuters e Associated Press. “Eles abandonaram a missão diplomática e desapareceram”, declarou o parlamentar, referindo-se ao embaixador e à sua família. O desaparecimento terá ocorrido no início de novembro, mês em que a missão diplomática de Song Gil chegaria ao fim.

Por confirmar ficou parte da informação avançada pelo jornal sul-coreano, que citava uma fonte diplomática garantindo que o embaixador tinha pedido asilo num país ocidental, não identificado. Segundo a mesma fonte, as autoridades italianas estão a “agonizar” com a situação, mas mantêm Song Gil e a família num “lugar seguro”. Contactado pela BBC, o ministério dos Negócios Estrangeiros italiano negou ter recebido qualquer pedido de asilo feito pelo embaixador — o que não exclui a possibilidade de esse pedido ter sido feito a outro país.

Jo Song Gil ocupava o posto de embaixador em Itália desde setembro de 2017, altura em que o país expulsou o seu antecessor, Mun Jong Nam, em protesto contra um dos testes nucleares de Pyongyang. A missão diplomática da Coreia do Norte em Roma é particularmente relevante para os norte-coreanos, relembra a BBC, porque a FAO (organização da ONU para a Alimentação) tem sede em Itália e a Coreia do Norte tem atravessado vários períodos de fome. Segundo o JoongAng Ilbo, Song Gil será filho ou genro de um responsável norte-coreano de topo.

A última vez que um diplomata norte-coreano desertou foi em 2016, quando Thae Yong Ho, antigo número dois da embaixada da Coreia do Norte em Londres, fugiu para a Coreia do Sul. À altura, Pyongyang classificou o diplomata como “escumalha” e acusou-o de ter fugido por ter sido condenado na Coreia do Norte por vários crimes. Agora, após a deserção do embaixador em Itália, o regime ainda não se pronunciou.