O Presidente da China ordenou às forças armadas que se preparem para o combate e a guerra, por considerar que o país enfrenta riscos e desafios sem precedentes, noticiou o jornal South China Morning Post (SCMP).

De acordo com o diário de Hong Kong, o discurso de Xi Jinping foi proferido na sexta-feira, numa reunião de altos funcionários da Comissão Militar Central (CMC), também sob comando do líder chinês, e transmitido mais tarde na televisão nacional.

Xi Jinping exortou todas as unidades do Exército Popular de Libertação a “compreender corretamente as principais tendências da segurança nacional e do desenvolvimento” e a “reforçar os seus sentidos para adversidades, crises e batalhas inesperadas”.

O líder chinês ressaltou ainda que esta é uma era de “mudanças drásticas”, na qual crescem “riscos e desafios imprevisíveis”.

“A preparação para a guerra e o combate devem ser aprofundados para garantir uma resposta eficiente em tempos de emergência”, sublinhou.

Na mesma reunião, o Presidente chinês assinou o primeiro comando militar de 2019, que dará início a um ano de treino e exercícios militares reforçados.

O discurso foi feito poucos dias depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter assinado uma lei que reafirma o compromisso dos EUA com a segurança da região. O presidente chinês já havia afirmado anteriormente que ninguém pode mudar o facto de Taiwan fazer parte da China, que as populações dos dois países devem procurar a “reunificação” e que a China tem o direito de usar a força para chegar a essa “reunificação”.

Taiwan: “Esperemos que a comunidade internacional leve a sério”

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, apelou à comunidade internacional para apoiar Taiwan e a sua democracia perante a crescente pressão da China sobre a ilha.

“Esperamos que a comunidade internacional leve a sério e dê apoio e nos ajude”, disse Tsai, numa conferência de imprensa, referindo-se ao discurso da passada quarta-feira do presidente chinês, Xi Jinping, no qual assegurou que Taiwan “deve ser e será reunificada” com a China, objetivo para o qual não afastou o uso da força.

A mandatária considerou as palavras de Xi Jinping como um ataque à democracia e à liberdade de Taiwan e questionou qual seria o próximo país democrático a ser pressionado pela China.

Tsai pediu a Pequim para adotar uma “perceção correta” sobre o que sentem e pensam os taiwaneses e afirmou que as pressões e ameaças chinesas são contraproducentes e afetam negativamente os laços bilaterais.

A presidente de Taiwan,  Tsai Ing-wen (@ TAIWAN PRESIDENTIAL OFFICE HANDOUT/EPA)

A Presidente adiantou que no discurso de se escondiam “dois perigos fundamentais para a liberdade e para a democracia” de Taiwan, por recusar a existência política e ignorar o Governo de Taiwan como interlocutor.

Taiwan não pode aceitar as premissas chinesas de Xi Jinping “uma só China” e de “um país, dois sistemas”, particularmente no contexto do denominado “Consenso de 1992”, que deixam claras as “suas intenções políticas face a Taiwan e os seus passos para a unificação”, afirmou a responsável do Executivo.

Essas máximas supõem “um grande desprezo pelo facto de que Taiwan existe e está em pleno funcionamento, como todos os outros países democráticos”.

A mandatária também rejeitou o plano chinês de negociar com “os partidos políticos em vez de com o Governo eleito democraticamente de Taiwan”, que considerou como parte da campanha de Pequim para “minar e subverter o processo democrático e criar divisão na sociedade.”

Tsai adiantou que, como “Presidente eleita democraticamente”, deve “defender a democracia, a liberdade e o estilo de vida” da ilha, que “formam parte fundamental” da identidade nacional de Taiwan.

Todos os partidos políticos de Taiwan recusaram tanto a interpretação que faz Pequim de “uma só China” como a fórmula de “um país, dois sistemas” aplicado por Pequim em Hong Kong.