Rádio Observador

Viral

Consegue ouvir isto? A ilusão auditiva do som que nunca mais acaba

116

A Nintendo usou-a no Super Mario, Christopher Nolan acrescentou-a a vários filmes e os Pink Floyd mostram-na em "Echoes". Há uma ilusão auditiva em que um som parece nunca acabar. Teste-a aqui.

Esta é uma ilusão auditiva criada por Roger Sheppard

Getty Images/iStockphoto

Oiça o som aqui em baixo. Agora volte a reproduzi-lo mas clique outra vez no play assim que ele chegar ao fim. Ouviu isto? Apesar de estar sempre a ouvir o mesmo som, o tom dele parece continuar a aumentar quando o reproduz mais do que uma vez. A esse fenómeno chamamos Tom de Sheppard, uma ilusão auditiva batizada em homenagem ao cientista cognitivo Roger Newland Shepard. O segredo por detrás dele está na forma como o som foi criado. E tem apaixonado alguns dos maiores criadores do cinema, da música e do mundo dos videojogos.

O Tom de Sheppard é um som que consiste numa sobreposição de ondas sinoidais — as que sobem e descem para descreverem uma oscilação repetitiva suave. Essas ondas estão separadas por oitavas: cada uma representa uma nota musical que tem o dobro da frequência da que fica por debaixo dela e metade da frequência da que fica por cima dela.

É nesse arquitetura que está a raiz da ilusão: “O que está a acontecer é que a mesma sequência de oito tons complexos está a ser tocada várias vezes. A repetição da mesma oitava cria a experiência ilusória de uma subida ou descida contínua. A ilusão é criada porque cada tom é composto de muitas frequências, que são cuidadosamente criadas para dar origem a uma ambiguidade. Cada tom é ambíguo e pode ser ouvido como um som mais alto ou mais baixo, dependendo do contexto”, explica a página The Illusion Index.

Foi uma ilusão auditiva como esta que 0 compositor Hans Zimmer adicionou ao filme “Dunkirk”. Imagine que as tais ondas são como três lances de escadas, uns debaixo dos outros, em que a que tem uma frequência mais alta é a de cima e a que tem a frequência mais baixa é a última. O que Hans Zimmer fez, seguindo a lógica de Roger Shepard, foi colocar a onda de cima a diminuir de volume à medida que o som avança; a onda do meio sempre com o mesmo volume; e a onda de baixo a aumentar de volume com a passagem do tempo.

Quando a onda de cima começa a desaparecer, a onda de baixo começa a ser audível. À conta disso, o cérebro é enganado e levado a crer que tudo isto se trata do mesmo som a subir de frequência ad eternum, como se alguém estivesse a clicar nas teclas de um piano infinito.

Esta ilusão auditiva — que pode ser comparada à ilusão ótica provocada pelos postes com espirais vermelhas e azuis à porta dos barbeiros — é usada há longos anos no mundo do cinema, da música e dos videojogos. Hans Zimmer usou-o em “Dunkirk” em “The Mole” , a Nintendo usou-o no jogo “Super Mario 64” no obstáculo “Escadas Infinitas” e os Pink Floyd usou-o na música “Echoes” em 1971. Christopher Nolan — que é também o realizador de “Dunkirk” — também acrescentou o Tom de Sheppard aos dois últimos filmes “O Cavaleiro das Trevas” e na canção “Colorado Springs”, composta por David Julyan para o filme “O Terceiro Passo”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mlferreira@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)