República do Congo

Oposição pede à comissão eleitoral para respeitar alternância democrática na RD Congo

Os resultados das presidenciais, legislativas e provinciais de 30 de dezembro estavam previstos para domingo, mas, no sábado, apenas tinham sido reunidos metade dos votos dos 40 milhões de eleitores.

STEFAN KLEINOWITZ/EPA

Um dos responsáveis pela coligação Lamuka, da oposição e que apresentou Martin Fayulu como candidato à sucessão de Joseph Kabila na Presidência da República Democrática do Congo, disse esta segunda-feira esperar que a comissão eleitoral respeite a alternância democrática.

“Esperamos que, aconteça o que acontecer, a CENI (Comissão Eleitoral Nacional Independente) não distorça a vontade dos congoleses, para que possamos ter resultados que nos permitam avançar na direção da mudança”, disse Christophe Lutundula, em entrevista à Rádio Okapi, que emite no âmbito da missão da ONU na República Democrática do Congo (RDCongo).

Christophe Lutundula, deputado na Assembleia Nacional da RDCongo, afirmou que a CENI “pode andar de relatório em relatório” mas “o mais importante é que a verdade das urnas seja respeitada e que a alternância democrática tenha lugar”.

Os resultados das eleições presidenciais, legislativas e provinciais de 30 de dezembro estavam previstos para domingo, mas, no sábado, a CENI comunicou que apenas tinha reunido metade dos votos dos cerca de 40 milhões de eleitores e que o escrutínio fica concluído nesta semana, sem precisar em que dia. Lutundula salientou que gostaria de “acreditar na existência de razões objetivas” para justificar o adiamento da divulgação dos resultados, mas acrescentou que “não podem ser adiamentos excessivos, porque certamente exacerbam as tensões políticas no país”.

Também a coligação Movimento para a Mudança, pela qual se candidatou Félix Tshisekedi, manifestou-se “desconfiada e vigilante”, depois do adiamento dos resultados finais. Igualmente na Rádio Okapi, o porta-voz da coligação, Vidiye Tshimanga, afirmou que a CENI está “a jogar um jogo ruim com a Frente Comum para o Congo (FCC)”, que apresentou como candidato Emmanuel Ramazani Shadary, o delfim de Joseph Kabila, no poder desde 2001 e impedido de recandidatar-se constitucionalmente.

Tshimanga disse que a atuação da CENI visa “roubar a vitória ao povo congolês”, porque, justificou, “a FCC está agora consciente de que perdeu completamente estas eleições”. Defendeu que a CENI e a FCC estão a tentar “encontrar brechas para não assumir o fracasso”, pois “a oposição ganhou definitivamente estas eleições e tudo o que a CENI poderia tentar alcançar hoje, sem internet, sem olhar para o que acontece, nos coloca em extrema vigilância”.

No domingo, o dia que estava previsto para a publicação dos resultados, presidente da CENI, Corneille Nangaa, garantiu que a contagem “já vai em 53%”, mas não revelou qualquer data para a conclusão nem quem está a liderar a corrida presidencial. Nangaa sublinhou que “a operação de compilação dos dados decorre como esperado em todos os centros”.

Numa altura em que a Igreja Católica e a comunidade internacional apelam para a “verdade” da votação e para resultados “exatos”, Corneille Nangaa assinalou que “há que evitar pressões”. “Devem deixar a CENI fazer o seu trabalho em calma”, pediu o responsável, acrescentando que se trabalha “dia e noite para apurar os resultados reais”.

O ato eleitoral presidencial devia ter sido realizado em 2016, altura em que Kabila terminou o segundo e último mandato como Presidente. As eleições na RDCongo de 30 de dezembro não se realizaram em todo o território, uma vez que a CENI decidiu adiar para 19 de março o sufrágio nas cidades de Beni, Butembo e Yumbi, devido à epidemia do Ébola e aos conflitos dos grupos armados. Nesta região, atua o grupo armado Forças Democráticas Aliadas, que tem desenvolvido várias ações, o que afeta as operações de socorro às vítimas do vírus Ébola.

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